Hepatite Alcoólica Aguda: Opções e Protocolos de Tratamento

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Com relação ao tratamento de um paciente com hepatite alcoólica aguda, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O uso de prednisolona mostrou-se capaz de reduzir a mortalidade em pacientes com função discriminante de Maddrey acima de 32.
  2. B) O uso de pentoxifilina reduz a incidência de síndrome hepatorrenal, e, consequentemente, a mortalidade, em pacientes com formas graves da doença. 
  3. C) O transplante hepático é modalidade terapêutica de indicação controversa nesses casos, pois não obedece ao período mínimo de seis meses de abstinência alcoólica usualmente exigido.
  4. D) Caso não ocorra resposta significativa após uma semana de terapia com prednisolona, seu uso deve ser interrompido
  5. E) A N-acetilcisteína tem-se mostrado superior à terapia padrão com corticoides na redução da mortalidade, por desencadear menos frequentemente complicações infecciosas. 

Pérola Clínica

NAC não é superior a corticoides na hepatite alcoólica grave; corticoides são a base do tratamento para Maddrey > 32.

Resumo-Chave

A N-acetilcisteína (NAC) pode ser um adjuvante, mas não substitui os corticoides no tratamento da hepatite alcoólica grave, nem é superior a eles na redução da mortalidade. Os corticoides são a terapia de primeira linha para pacientes com função discriminante de Maddrey acima de 32.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica aguda é uma síndrome inflamatória grave do fígado, precipitada pelo consumo excessivo de álcool, com alta morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, laboratorial e, por vezes, histológico. A estratificação da gravidade é crucial, sendo a função discriminante de Maddrey (FDM) um dos escores mais utilizados para guiar o tratamento. Uma FDM ≥ 32 indica doença grave e a necessidade de terapia específica. O tratamento para formas graves da doença baseia-se principalmente no uso de corticoides, como a prednisolona, que demonstraram reduzir a mortalidade em pacientes selecionados. A pentoxifilina é uma alternativa para aqueles com contraindicações aos corticoides, ou como terapia adjuvante, visando reduzir a incidência de síndrome hepatorrenal. A N-acetilcisteína tem sido estudada, mas não se mostrou superior aos corticoides na redução da mortalidade e não é a terapia padrão. É fundamental que residentes compreendam a indicação e o manejo dessas terapias, bem como a importância da abstinência alcoólica. A avaliação da resposta ao tratamento com corticoides após uma semana (critério de Lille) é essencial para decidir pela continuidade ou interrupção da terapia. O transplante hepático, embora controverso, pode ser uma opção em casos refratários e selecionados, desafiando a regra tradicional da abstinência prolongada.

Perguntas Frequentes

Quando os corticoides são indicados no tratamento da hepatite alcoólica aguda?

Os corticoides, como a prednisolona, são indicados para pacientes com hepatite alcoólica aguda grave, geralmente definida por uma função discriminante de Maddrey (FDM) igual ou superior a 32, na ausência de contraindicações como infecção ativa ou sangramento gastrointestinal.

Qual o papel da pentoxifilina na hepatite alcoólica aguda?

A pentoxifilina é uma alternativa ou terapia adjuvante aos corticoides, especialmente em pacientes com contraindicações aos esteroides. Ela atua como um inibidor do TNF-alfa e pode reduzir a incidência de síndrome hepatorrenal e, possivelmente, a mortalidade em formas graves da doença.

Por que o transplante hepático é controverso na hepatite alcoólica aguda?

O transplante hepático é controverso devido à exigência usual de um período mínimo de seis meses de abstinência alcoólica para avaliar a recuperação hepática e o risco de recidiva. No entanto, em casos selecionados de hepatite alcoólica grave refratária ao tratamento clínico, o transplante precoce pode ser considerado, embora com critérios rigorosos.

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