Hepatite Alcoólica Aguda: Padrão Laboratorial Chave

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 45 anos de idade, é levado ao pronto-socorro por hiporexia, náuseas e desconforto abdominal em hipocôndrio direito há 1 semana, evoluindo com ""amarelidão"" e febre há 3 dias. Etilista importante desde os 20 anos com última intoxicação alcoólica há 15 dias. Nega comorbidades e uso de outras substâncias. Nega relações sexuais desprotegidas no último ano. Ao exame físico, os sinais vitais estão normais, apresenta icterícia em escleras e frênulo lingual. O abdome está globoso, RHA presentes, flácido, doloroso à palpação de hipocôndrio direito com fígado palpável 3 cm abaixo do rebordo costal direito, sem sinais de peritonite. O restante do exame físico está normal. Realizou teste rápido para hepatites virais, todos não reagentes. Considerando o caso clínico, entre as opções abaixo, o padrão laboratorial mais provável para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Aumento de TGO e TGP com relação TGO/TGP < 1.
  2. B) Elevação intermitente de TGP.
  3. C) Aumento de TGP e TGO com relação TGP/TGO ≥ 2.
  4. D) Aumento de TGO e TGP com relação TGO/TGP ≥ 2.
  5. E) Aumento de TGP e TGO com relação TGP/TGO < 1.

Pérola Clínica

Etilista com icterícia, febre e TGO/TGP ≥ 2 → Hepatite Alcoólica Aguda.

Resumo-Chave

Na hepatite alcoólica aguda, o padrão laboratorial clássico inclui elevação de TGO e TGP, com a relação TGO/TGP tipicamente maior ou igual a 2, devido à deficiência de piridoxal-fosfato nos hepatócitos.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica aguda é uma síndrome inflamatória hepática grave que ocorre em indivíduos com histórico de consumo excessivo de álcool, sendo uma das manifestações da doença hepática alcoólica. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A fisiopatologia envolve a toxicidade direta do álcool e seus metabólitos, como o acetaldeído, levando à inflamação e necrose hepatocelular. Clinicamente, os pacientes apresentam icterícia, febre, dor abdominal em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos e hepatomegalia. O diagnóstico é fortemente sugerido pelo histórico de etilismo e por um padrão laboratorial característico: elevação de TGO e TGP, com a relação TGO/TGP tipicamente maior ou igual a 2. Isso ocorre porque a TGP requer piridoxal-fosfato (vitamina B6) como cofator, e a deficiência de B6 é comum em etilistas, afetando mais a TGP. O tratamento envolve a abstinência alcoólica, suporte nutricional e, em casos graves, corticosteroides. É crucial que residentes saibam identificar esse padrão laboratorial para diferenciar a hepatite alcoólica de outras causas de hepatite e iniciar o tratamento adequado, melhorando o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas da hepatite alcoólica aguda?

Os sintomas incluem icterícia, febre, náuseas, vômitos, dor abdominal em hipocôndrio direito, hiporexia e hepatomegalia.

Qual a relação TGO/TGP na hepatite alcoólica?

Na hepatite alcoólica, a relação TGO/TGP é tipicamente maior ou igual a 2, um achado distintivo em comparação com outras hepatopatias.

Por que a TGO é mais elevada que a TGP na hepatite alcoólica?

A deficiência de piridoxal-fosfato (vitamina B6), comum em etilistas, afeta mais a atividade da TGP, resultando em uma elevação desproporcional da TGO.

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