SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Um homem de 56 anos com histórico de consumo crônico de álcool (cerca de 80 g/dia) é admitido com icterícia, febre leve (37,8°℃) e mal-estar crescente nas últimas duas semanas. Relata náuseas, perda de apetite e dor no quadrante superior direito do abdome. O exame físico revela icterícia escleral e cutânea e hepatomegalia dolorosa à palpação no hipocôndrio direito. Exames laboratoriais: • Bilirrubina total: 10 mg/dL (Referência: < 1,2 mg/dL); • AST: 230 U/L (Referência: 8-48 U/L); • ALT: 110 U/L (Referência: 7-55 U/L); • INR: 1,6 (Referência: 0,8-1,2); • Albumina sérica: 2,8 g/dL (Referência: 3,5-5,0 g/dL); • Creatinina: 1,0 mg/dL (Referência: 0,6-1,2 mg/dL); • Índice de Maddrey: 42; • Escore MELD: 18. Com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais, qual a conduta inicial mais adequada para o manejo deste paciente?
Maddrey ≥ 32 → Iniciar Prednisolona; avaliar resposta com Escore de Lille no 7º dia.
A hepatite alcoólica grave requer corticoterapia para reduzir a mortalidade aguda, guiada por índices prognósticos rigorosos.
A hepatite alcoólica grave é uma síndrome clínica caracterizada por icterícia de início rápido, febre e hepatomegalia dolorosa em pacientes com consumo pesado de álcool. O diagnóstico é sugerido pela relação AST/ALT > 2 e elevação da bilirrubina. O Índice de Maddrey é o divisor de águas para o início do tratamento farmacológico. A prednisolona é o corticoide de escolha (por não depender de ativação hepática como a prednisona). O suporte nutricional hipercalórico e hiperproteico é igualmente vital, pois a desnutrição é um fator prognóstico negativo. O acompanhamento com o Escore de Lille no 7º dia garante que apenas pacientes beneficiados continuem com a medicação por 28 dias, minimizando riscos desnecessários.
O Índice de Maddrey (Função Discriminante) é calculado utilizando o tempo de protrombina e a bilirrubina total. Um valor ≥ 32 define a hepatite alcoólica como 'grave', indicando um risco de mortalidade em 30 dias superior a 30-50% se não tratada. Nesses casos, a corticoterapia com prednisolona (40mg/dia) está indicada para suprimir a cascata inflamatória hepática. Valores abaixo de 32 indicam doença leve a moderada, onde o tratamento é focado em suporte nutricional, hidratação e, fundamentalmente, abstinência alcoólica absoluta.
O Escore de Lille é uma ferramenta prognóstica aplicada no 7º dia de tratamento com corticosteroides para identificar pacientes que não estão respondendo à terapia. Ele considera idade, função renal, albumina, tempo de protrombina e a queda da bilirrubina na primeira semana. Um escore > 0,45 indica falha terapêutica (não respondedor). Nesses casos, o corticoide deve ser suspenso para evitar complicações infecciosas graves, e o prognóstico a curto prazo torna-se muito reservado, exigindo discussão sobre terapias de resgate ou transplante.
Antes de iniciar a prednisolona, é obrigatório excluir infecções ativas (como peritonite bacteriana espontânea ou pneumonia), hemorragia digestiva alta e insuficiência renal grave não controlada. A infecção é a principal causa de óbito na hepatite alcoólica grave, e o uso de corticoides pode mascarar sintomas ou exacerbar o quadro infeccioso. Se houver suspeita de infecção, esta deve ser tratada com antibióticos de amplo espectro antes de se considerar a introdução da terapia anti-inflamatória esteroidal.
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