Hepatite Alcoólica: Perfil Laboratorial de Aminotransferases

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

O perfil laboratorial mais frequentemente observado em pacientes com hepatite alcoólica é aminotransferases:

Alternativas

  1. A) > 1000 U/L, com predomínio de aspartato aminotransferase (AST)
  2. B) > 1000 U/L, com predomínio de alanina aminotransferase (ALT)
  3. C) < 400U/L, com predomínio de aspartato aminotransferase (AST)
  4. D) < 400U/L, com predomínio de alanina aminotransferase (ALT)

Pérola Clínica

Hepatite alcoólica → AST/ALT < 400 U/L, com AST > ALT (razão AST/ALT > 2:1).

Resumo-Chave

Na hepatite alcoólica, o perfil laboratorial clássico mostra elevações moderadas das aminotransferases (geralmente < 400 U/L), com predomínio de AST sobre ALT, frequentemente com uma razão AST/ALT > 2:1. Isso ocorre devido à deficiência de piridoxal-fosfato nos hepatócitos alcoólicos e ao efeito direto do álcool na liberação mitocondrial de AST.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica é uma síndrome inflamatória aguda do fígado que ocorre em indivíduos com histórico de consumo excessivo e prolongado de álcool. É uma manifestação grave da doença hepática alcoólica, com um espectro que varia de formas leves a quadros fulminantes com alta mortalidade. O reconhecimento do perfil laboratorial é crucial para o diagnóstico e manejo adequado. A fisiopatologia envolve o metabolismo do álcool, que gera metabólitos tóxicos, estresse oxidativo, inflamação e fibrose. O perfil laboratorial é distintivo. Diferentemente de outras hepatites (virais, isquêmicas) que podem apresentar elevações maciças das aminotransferases (> 1000 U/L), na hepatite alcoólica, as elevações de AST (aspartato aminotransferase) e ALT (alanina aminotransferase) são geralmente mais modestas, tipicamente abaixo de 400 U/L. O achado mais característico é o predomínio da AST sobre a ALT, com uma razão AST/ALT frequentemente maior que 2:1, e por vezes até 3:1 ou mais. Isso se deve à deficiência de piridoxal-fosfato (vitamina B6) induzida pelo álcool, que é um cofator essencial para a ALT, e ao dano mitocondrial direto causado pelo álcool, que libera mais AST mitocondrial. Outros achados incluem elevação da GGT, bilirrubina e, em casos graves, prolongamento do INR e hipoalbuminemia, refletindo a disfunção hepática.

Perguntas Frequentes

Qual a principal característica das aminotransferases na hepatite alcoólica?

A principal característica é a elevação moderada das aminotransferases, geralmente abaixo de 400 U/L, com predomínio da aspartato aminotransferase (AST) sobre a alanina aminotransferase (ALT), resultando em uma razão AST/ALT tipicamente maior que 2:1.

Por que a AST é geralmente mais elevada que a ALT na hepatite alcoólica?

Isso ocorre por dois motivos principais: o álcool causa deficiência de piridoxal-fosfato (vitamina B6), um cofator essencial para a atividade da ALT, e o dano mitocondrial induzido pelo álcool libera mais AST (que é predominantemente mitocondrial) do que ALT (que é predominantemente citoplasmática).

Quais outros marcadores laboratoriais podem estar alterados na hepatite alcoólica?

Além das aminotransferases, pode haver elevação da gama-glutamil transferase (GGT), bilirrubina (especialmente direta), fosfatase alcalina (FA), e leucocitose com desvio à esquerda. A albumina pode estar baixa e o INR prolongado em casos mais graves de disfunção hepática.

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