Hepatite Alcoólica: Diagnóstico Clínico e Histopatológico

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 42 anos, etilista pesado há 15 anos, é levado ao pronto-atendimento com quadro de icterícia súbita, febre baixa e dor contínua em hipocôndrio direito. O exame físico revela hepatomegalia dolorosa e ausência de sinais de peritonite. Os exames laboratoriais demonstram uma relação AST/ALT de 2,5, com leucocitose neutrofílica importante. Diferente de outras formas de agressão hepática crônica, a fase aguda da lesão pelo álcool apresenta um padrão inflamatório e de degeneração celular muito específico. Qual característica histopatológica e seu respectivo mecanismo são fundamentais para explicar a apresentação clínica desse paciente?

Alternativas

  1. A) Infiltrado mononuclear periportal mediado por linfócitos T citotóxicos contra antígenos de superfície.
  2. B) Presença de corpos de Mallory-Denk decorrentes da condensação de filamentos intermediários do citoesqueleto.
  3. C) Degeneração gordurosa microvesicular causada pela inibição da oxidação de ácidos graxos por toxinas bacterianas.
  4. D) Formação de septos fibrosos em 'ponte' por ativação direta de macrófagos alveolares via via alternativa.

Pérola Clínica

Na hepatite alcoólica, o 'T' de AST vem de 'Tequila' (está mais alto), e o 'L' de ALT vem de 'Leite' (está mais baixo). Uma relação AST/ALT > 2 com febre e neutrofilia em um etilista é hepatite alcoólica até que se prove o contrário.

Contexto Educacional

A hepatite alcoólica é uma síndrome clínica grave que ocorre em indivíduos com consumo crônico e pesado de álcool, caracterizada por icterícia de início súbito e complicações como ascite e encefalopatia. A fisiopatologia envolve o metabolismo do etanol em acetaldeído, que é altamente tóxico, gerando estresse oxidativo e formação de adutos de proteínas que desencadeiam uma resposta inflamatória intensa. O diagnóstico é eminentemente clínico e laboratorial, com destaque para a relação AST/ALT > 2 e a presença de febre e neutrofilia. Histologicamente, observa-se a tríade de esteatose, balonização de hepatócitos com corpos de Mallory-Denk e infiltrado neutrofílico pericelular. O tratamento baseia-se na abstinência alcoólica rigorosa, suporte nutricional e, em casos graves (Índice de Maddrey ≥ 32), o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação sistêmica.

Perguntas Frequentes

Por que a AST é maior que a ALT no álcool?

O álcool é uma toxina mitocondrial que libera AST (presente na mitocôndria) e o etilista costuma ter deficiência de Vitamina B6, cofator essencial para a produção de ALT.

Corpos de Mallory são exclusivos do álcool?

Não, podem aparecer na esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e na Doença de Wilson, mas são mais numerosos e clássicos na doença alcoólica.

Qual a causa da febre nesse paciente?

A liberação de citocinas pró-inflamatórias (como IL-8) que atraem neutrófilos para o parênquima hepático em resposta à necrose celular.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo