UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Paciente de 19 anos de idade refere que há oito dias vem apresentando febrícula, dores no corpo e náuseas. Há um dia, refere que sua urina ficou mais escura. Nega uso de álcool e drogas, porém refere que há mais ou menos noventa dias fez uma tatuagem no braço. Ao exame físico, apresenta icterícia discreta e dor discreta à palpação do hipocôndrio direito, com fígado palpável a 2 cm do rebordo costal. Os exames iniciais mostram hemograma praticamente normal, bilirrubina total de 4,2 mg (direta: 2,8 mg e indireta: 1,4mg); TGO de 745 UI e TGP de 1.420 UI. O ultrassom mostra apenas discreta hepatomegalia.Neste caso, os exames que deverão ser solicitados são:
Hepatite aguda com icterícia e transaminases elevadas, histórico de tatuagem → Investigar hepatites virais (HAV, HBV, HCV).
O quadro clínico de febrícula, mialgia, náuseas, icterícia, urina escura e elevação acentuada de transaminases é altamente sugestivo de hepatite aguda. O histórico de tatuagem recente (90 dias) é um fator de risco importante para hepatites B e C, enquanto a hepatite A é uma causa comum de hepatite aguda, especialmente em jovens.
A hepatite aguda viral é uma inflamação do fígado causada por vírus específicos, como HAV, HBV e HCV, que se manifesta com sintomas inespecíficos como febre, mal-estar, náuseas, e posteriormente icterícia, colúria e acolia fecal. A elevação acentuada das transaminases (TGO e TGP) é um achado laboratorial característico, indicando lesão hepatocelular. A epidemiologia varia para cada vírus, sendo o HAV transmitido por via fecal-oral e HBV/HCV por via parenteral (sangue e fluidos corporais), sexual ou vertical. A fisiopatologia envolve a replicação viral nos hepatócitos, levando à sua destruição e à resposta inflamatória do hospedeiro. O diagnóstico diferencial é crucial e baseia-se na sorologia específica para cada vírus. Para hepatite A, o Anti-HAV IgM indica infecção aguda. Para hepatite B, HBsAg e Anti-HBc IgM são marcadores de infecção aguda. Para hepatite C, o Anti-HCV indica exposição e infecção, mas o RNA-HCV é necessário para confirmar a infecção ativa. O tratamento da hepatite aguda viral é geralmente de suporte, com exceção de casos graves de hepatite B ou C que podem necessitar de antivirais. A prevenção é fundamental, incluindo vacinação para HAV e HBV, e medidas de biossegurança para evitar a transmissão de HBV e HCV. A identificação precoce e o acompanhamento são essenciais para evitar complicações e surtos.
Para hepatite B aguda, são indicados HBsAg (antígeno de superfície) e Anti-HBc IgM (anticorpo contra o core, tipo IgM), que indicam infecção ativa e recente, respectivamente.
O Anti-HAV IgM é o marcador específico para o diagnóstico de infecção aguda pelo vírus da hepatite A, sendo crucial para diferenciar de outras causas de hepatite viral.
Tatuagens, especialmente se realizadas em locais sem condições sanitárias adequadas, são um importante fator de risco para a transmissão de hepatites B e C, devido ao contato com sangue contaminado.
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