Hepatite Aguda Viral: Diagnóstico e Fases Clínicas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma jovem com 19 anos de idade chega para consulta na Unidade de Pronto Atendimento por icterícia e desconforto no quadrante superior direito do abdome. A paciente refere que vem se sentindo cansada há aproximadamente 10 dias, acrescentando que, nos primeiros 2 dias desse quadro, apresentou febre (38 °C na região axilar) e artralgia, coriza, tosse seca, perda de apetite, náuseas e dois episódios de vômitos. Conta ainda que, quando a icterícia apareceu, os sintomas melhoraram bastante e que agora sente apenas um pouco de desconforto no quadrante superior direito do abdome e leve diminuição do apetite. Ao exame físico, a paciente apresenta regular estado geral, ictérica e com fígado palpável 2 cm abaixo do rebordo costal; o baço não é palpável. Considerando o quadro clínico e os dados apresentados, a principal hipótese diagnóstica dessa paciente é

Alternativas

  1. A) leptospirose.
  2. B) mononucleose.
  3. C) colecistite aguda.
  4. D) hepatite aguda viral.

Pérola Clínica

Hepatite aguda viral: pródromo gripal → icterícia com melhora dos sintomas sistêmicos.

Resumo-Chave

O quadro clássico de hepatite aguda viral inicia-se com sintomas inespecíficos como febre, fadiga e mialgia (fase prodrômica), seguidos pelo surgimento da icterícia. Um ponto chave é que, frequentemente, os sintomas sistêmicos tendem a melhorar ou desaparecer com o aparecimento da icterícia, indicando a fase ictérica da doença.

Contexto Educacional

A hepatite aguda viral é uma inflamação do fígado causada por vírus hepatotrópicos, sendo os mais comuns os vírus da hepatite A, B, C, D e E. É uma condição de grande relevância clínica e epidemiológica, com diferentes modos de transmissão e prognósticos. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e para a prevenção da disseminação, especialmente em contextos de surtos. O quadro clínico típico da hepatite aguda viral se desenvolve em fases. Inicialmente, há uma fase prodrômica, caracterizada por sintomas inespecíficos como fadiga, mal-estar, febre, mialgia, artralgia, náuseas, vômitos e anorexia, que podem ser facilmente confundidos com outras infecções virais. Em seguida, surge a fase ictérica, marcada pelo aparecimento de icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas) e colúria (urina escura), acompanhada frequentemente de acolia fecal (fezes claras). Um achado clássico e importante para o diagnóstico é a melhora dos sintomas sistêmicos (febre, mal-estar) com o surgimento da icterícia, o que diferencia a hepatite de outras causas de icterícia. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais que mostram elevação acentuada das transaminases hepáticas (ALT e AST), bilirrubinas e, posteriormente, pela detecção de marcadores sorológicos virais específicos. O tratamento é geralmente de suporte, com repouso e hidratação, e a maioria dos casos de hepatite A e E se resolve espontaneamente. As hepatites B e C agudas podem cronificar, necessitando de acompanhamento e tratamento específico. O prognóstico é geralmente bom, mas complicações como a hepatite fulminante podem ocorrer, sendo mais raras.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas iniciais (prodrômicos) da hepatite aguda viral?

Os sintomas prodrômicos da hepatite aguda viral são inespecíficos e semelhantes a uma síndrome gripal, incluindo fadiga, mal-estar, febre baixa, artralgia, mialgia, coriza, tosse seca, perda de apetite, náuseas e vômitos. Esses sintomas geralmente precedem o aparecimento da icterícia.

Por que os sintomas sistêmicos podem melhorar com o surgimento da icterícia na hepatite aguda?

A melhora dos sintomas sistêmicos com o aparecimento da icterícia é um achado clássico na hepatite aguda viral. Isso ocorre porque a icterícia marca o início da fase ictérica, quando a resposta imune está mais estabelecida e o vírus pode estar sendo eliminado, levando à diminuição da viremia e da inflamação sistêmica, embora a lesão hepática persista.

Quais exames complementares são indicados para confirmar a hepatite aguda viral?

Para confirmar a hepatite aguda viral, são indicados exames laboratoriais que incluem dosagem de transaminases (ALT e AST, geralmente muito elevadas), bilirrubinas (direta e indireta elevadas), e marcadores sorológicos específicos para cada tipo de vírus da hepatite (anti-HAV IgM, HBsAg, anti-HBc IgM, anti-HCV, etc.).

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