UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Mulher, 28 anos com quadro de colecistite aguda foi submetida a colecistectomia videolaparoscópica. Dois dias depois apresentou icterícia (bilirrubinemia total = 12 mg/dL), febre e dor abdominal. O diagnóstico mais provável é:
Icterícia + febre + dor abdominal 2 dias pós-colecistectomia → considerar hepatite aguda por drogas ou lesão biliar.
A icterícia, febre e dor abdominal dois dias após uma colecistectomia videolaparoscópica, com bilirrubina elevada, sugerem uma complicação aguda. Embora lesões biliares sejam comuns, a hepatite aguda por drogas anestésicas é uma causa importante a ser considerada, especialmente com um quadro de icterícia tão precoce e intensa.
A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento cirúrgico comum para colecistite aguda. No entanto, o pós-operatório pode ser complicado por diversas intercorrências, sendo a icterícia um sinal de alerta importante. A icterícia pós-operatória, acompanhada de febre e dor abdominal, exige uma investigação rápida e precisa para determinar a etiologia e instituir o tratamento adequado. O diagnóstico diferencial de icterícia pós-colecistectomia é amplo e inclui complicações cirúrgicas diretas, como lesão iatrogênica da via biliar principal, cálculo residual no colédoco, ou fístula biliar. Contudo, causas não cirúrgicas, como a hepatite aguda por drogas anestésicas, devem ser consideradas, especialmente em um quadro de icterícia precoce e intensa. A fisiopatologia da hepatite por drogas envolve reações de hipersensibilidade ou toxicidade direta, levando à necrose hepatocelular e colestase. O manejo depende da causa. Para hepatite por drogas, o tratamento é de suporte, com suspensão do agente agressor. Para lesões biliares, pode ser necessária intervenção endoscópica (CPRE) ou cirúrgica. Residentes devem estar atentos à anamnese detalhada, incluindo histórico de medicamentos, e à interpretação de exames laboratoriais (bilirrubinas, transaminases, enzimas colestáticas) e de imagem (ultrassonografia, colangioressonância) para guiar o diagnóstico e a conduta apropriada.
As principais causas incluem lesão iatrogênica da via biliar principal, cálculo residual do colédoco, pancreatite pós-CPRE (se realizada), colestase pós-operatória benigna, e causas hepáticas como hepatite aguda por drogas anestésicas ou isquemia hepática.
A lesão biliar geralmente cursa com elevação predominante de bilirrubina direta e enzimas colestáticas (FA, GGT), podendo haver extravasamento de bile. A hepatite por drogas tende a ter elevação mais proeminente de transaminases (AST, ALT), embora a icterícia possa ser mista ou predominantemente direta. A história de exposição a anestésicos específicos é importante.
Alguns agentes anestésicos inalatórios, como o halotano (embora menos usado atualmente), e, mais raramente, outros como isoflurano, sevoflurano e desflurano, podem induzir hepatite. Além disso, outros medicamentos administrados no perioperatório também podem ser hepatotóxicos.
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