Hepatite Fulminante: Diagnóstico e Manejo da Insuficiência Hepática Aguda

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022

Enunciado

Homem de 21 anos é levado à emergência pelos familiares com quadro de alteração do nível de consciência de início há 24 horas. Há três dias, apresentou colúria associada com sangramento gengival. O exame físico mostra um paciente torporoso, com flapping, ictérico e sem ascite. O exame laboratorial revela hemoglobina = 8g/dL, leucócitos = 4.000/mm³, linfócitos = 39%, bilirrubina total = 14mg/dL, bilirrubina indireta = 8mg/dL, TGO = 300U/L, TGP = 200U/L e FA = 300U/L, TAP com INR = 2,8. A sorologia mostra anti-HAV IgM (-), IgG (+), anti-HCV (+), HbSAg (+), HbEAg (+), anti-HbEAg (-), anti-HbCAg total (+) e anti-HbSAg (-). O paciente é fumante, ingere 30g/dia de álcool há três anos e faz uso de drogas injetáveis ocasionalmente. Com os dados apresentados, o diagnóstico mais provável é de hepatite fulminante por:

Alternativas

  1. A) álcool
  2. B) vírus A
  3. C) vírus B
  4. D) vírus C

Pérola Clínica

Hepatite fulminante + HBsAg (+), HBeAg (+), anti-HBeAg (-) → Hepatite B aguda grave.

Resumo-Chave

A hepatite fulminante é uma síndrome rara e grave de insuficiência hepática aguda, caracterizada por encefalopatia e coagulopatia em paciente sem doença hepática prévia. A sorologia para hepatite B indica infecção aguda ativa, sendo a causa mais provável neste cenário.

Contexto Educacional

A hepatite fulminante, ou insuficiência hepática aguda, é uma condição rara e de alta mortalidade, caracterizada por encefalopatia hepática e coagulopatia em pacientes sem doença hepática crônica pré-existente, com início dos sintomas em até 8 semanas. As principais causas incluem infecções virais (especialmente hepatite B e A), toxicidade por drogas (paracetamol) e doenças autoimunes. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo e a sobrevida. O diagnóstico baseia-se na tríade de encefalopatia, coagulopatia e evidência de lesão hepática aguda. A sorologia viral é fundamental para identificar a etiologia, como no caso da hepatite B aguda ativa (HBsAg+, HBeAg+, anti-HBc total+). A fisiopatologia envolve necrose hepatocelular maciça, levando à falha das funções hepáticas de síntese e detoxificação, com acúmulo de amônia e outras toxinas neurotóxicas. O tratamento é de suporte intensivo, visando controlar as complicações como edema cerebral, infecções e sangramentos. O transplante hepático é a única terapia curativa para muitos pacientes, sendo indicada com base em critérios prognósticos como os de King's College. A identificação da etiologia é vital para direcionar terapias específicas, como antivirais para hepatite B, e para o aconselhamento sobre o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para hepatite fulminante?

A hepatite fulminante é definida pela presença de encefalopatia hepática e coagulopatia (INR ≥ 1,5) em um paciente sem doença hepática prévia, com início dos sintomas em até 8 semanas.

Como interpretar a sorologia da hepatite B neste caso de hepatite fulminante?

HBsAg (+), HBeAg (+), anti-HBeAg (-), anti-HBcAg total (+) e anti-HBsAg (-) indicam uma infecção aguda e ativa pelo vírus da hepatite B, com alta replicação viral, sendo a causa mais provável da falência hepática.

Qual a importância do transplante hepático na hepatite fulminante?

O transplante hepático é a principal opção terapêutica para pacientes com hepatite fulminante que não respondem ao tratamento clínico, especialmente aqueles que preenchem os critérios de King's College, devido à alta mortalidade sem ele.

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