Hepatite B Aguda: Diagnóstico e Manejo Clínico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 32 anos de idade, usuário de drogas ilícitas injetáveis (Dll), comparece à consulta ambulatorial em clínica médica com queixa de fadiga importante e dor abdominal no hipocôndrio direito que teve início há 1 semana. Refere que, 2 dias antes do início desses sintomas, apresentou febre, artralgias e um exantema leve, que desapareceram, ficando em seguida com os olhos amarelados e a urina escura. Relata que esses últimos sinais apareceram simultaneamente à melhora da febre, que persistiu por alguns dias, e que, nos últimos dias, passou a ter apenas fadiga e dor abdominal. Nega náuseas, vômitos, diarreia ou sangramentos, e afirma conseguir ingerir líquidos e alimentos por via oral de forma normal. Nega comorbidades prévias significativas, e sua história familiar não é relevante. Além do uso de Dll, o paciente é tabagista (10 maços/ano) e etilista social de fermentados.Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, com fácies de doença aguda, levemente ictérico nas escleras; corado, hidratado, acianótico, afebril, sem equimoses ou petéquias. Aparelhos cardiovascular e respiratório sem anormalidades. Abdome doloroso à palpação do hipocôndrio direito, sendo o fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular, de borda romba e consistência habitual; espaço de Traube livre. Não há edemas em membros inferiores. Os resultados dos exames complementares solicitados nessa consulta são apresentados na tabela a seguir.Considerando as informações apresentadas, a principal hipótese diagnóstica e o tratamento indicado são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) hepatite B aguda; iniciar tratamento sintomático, evitando-se fármacos hepatotóxicos e de metabolismo hepático.
  2. B) hepatite alcoólica aguda; prescrever corticoide, evitar novos insultos hepáticos e encaminhar o paciente para o Centro de Atenção Psicossocial (Álcool e Drogas).
  3. C) hepatite C aguda; prescrever antivirais combinados (como ledipasvir/sofosbuvir), conforme resultado do teste de genotipagem.
  4. D) hepatite B crônica agudizada; prescrever tenofovir ou entecavir, evitando-se fármacos hepatotóxicos e de metabolismo hepático.

Pérola Clínica

Hepatite B aguda → HBsAg e anti-HBc IgM positivos, tratamento é sintomático.

Resumo-Chave

O quadro clínico de pródromos (febre, artralgia, exantema) seguido por icterícia e melhora dos sintomas sistêmicos é clássico da fase ictérica da hepatite viral aguda. Em usuários de DII, a hepatite B é uma hipótese diagnóstica forte, confirmada pelos marcadores sorológicos HBsAg e anti-HBc IgM.

Contexto Educacional

A hepatite B aguda é uma infecção viral do fígado que pode variar de assintomática a grave. Em usuários de drogas ilícitas injetáveis, a transmissão parenteral é uma via comum. O quadro clínico típico envolve uma fase prodrômica com sintomas inespecíficos (febre, artralgia, exantema) seguida pela fase ictérica, onde a icterícia se manifesta e os sintomas sistêmicos tendem a melhorar, indicando o início da resolução. O diagnóstico é confirmado pela sorologia, com a presença de HBsAg e, crucialmente, anti-HBc IgM, que indica infecção recente. O anti-HBc total (IgM e IgG) também estará presente, mas o IgM é o marcador de agudização. O tratamento da hepatite B aguda é, na maioria dos casos, de suporte e sintomático, pois a infecção se resolve espontaneamente em 95% dos adultos imunocompetentes. Medidas de suporte incluem repouso, hidratação e nutrição adequadas, além da suspensão de álcool e drogas hepatotóxicas. É vital diferenciar a hepatite B aguda de outras causas de hepatite e de uma exacerbação de hepatite B crônica. A identificação precoce e o manejo adequado são importantes para prevenir complicações, embora a maioria dos pacientes tenha um bom prognóstico. A educação sobre prevenção de transmissão, especialmente em populações de risco, é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os marcadores sorológicos para diagnosticar hepatite B aguda?

O diagnóstico de hepatite B aguda é confirmado pela presença de HBsAg (antígeno de superfície do vírus da hepatite B) e anti-HBc IgM (anticorpo IgM contra o antígeno do core do vírus da hepatite B).

Qual a conduta inicial no tratamento da hepatite B aguda?

O tratamento da hepatite B aguda é primariamente sintomático, focando no alívio dos sintomas e evitando fármacos hepatotóxicos ou de metabolismo hepático, já que a maioria dos casos se resolve espontaneamente.

Quais sintomas são comuns na fase prodrômica da hepatite B aguda?

A fase prodrômica da hepatite B aguda pode incluir sintomas inespecíficos como febre, fadiga, artralgias e um exantema leve, que geralmente precedem o aparecimento da icterícia.

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