UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Mulher de 35 anos, hígida, com índice de massa corporal (IMC) = 30kg/m², apresenta história de dor abdominal em hipocôndrio direito, associada com febre de 38°C e icterícia há sete dias. Os exames laboratoriais de entrada revelam hemoglobina = 13 g/dL, leucócitos = 5.000/mm³, plaquetas = 245.000/mm³, glicemia = 90 mg/dL, creatinina = 1,0 mg/dL, bilirrubina total = 10 mg/dL, bilirrubina direta = 8,0 mg/dL, AST = 1.000 UI/L, ALT = 1.240 UI/L, fosfatase alcalina = 255 UI/L, gama-GT = 90 UI/L e INR = 1,2. Nega tabagismo. Refere ingestão de uma a duas latas de cerveja por dia há vários anos e vida sexual ativa sem proteção. O diagnóstico mais provável para o caso é de:
Transaminases > 1000 + Icterícia + Comportamento de risco → Pensar em Hepatite Viral Aguda.
O quadro de icterícia febril com elevação acentuada de transaminases (padrão hepatocelular franco) em paciente jovem e sexualmente ativa é altamente sugestivo de hepatite viral aguda, sendo a B a mais provável pelo contexto epidemiológico.
A Hepatite B é uma infecção sistêmica que ataca primariamente o fígado. A apresentação clínica varia de quadros assintomáticos a hepatite fulminante. O diagnóstico baseia-se no padrão laboratorial de lesão hepatocelular aguda (elevação massiva de ALT/AST) associado à sorologia positiva. Em mulheres jovens com vida sexual ativa sem proteção, o rastreio de ISTs, incluindo HBV, HCV e HIV, é obrigatório diante de sintomas constitucionais e icterícia. O tratamento na fase aguda é majoritariamente sintomático, reservando-se antivirais apenas para casos graves ou de evolução prolongada.
O HBsAg (antígeno de superfície) é o primeiro marcador detectável, surgindo em média 4 a 10 semanas após a exposição. Logo após, surge o HBeAg, indicando replicação viral ativa. O anti-HBc IgM aparece na fase aguda e é o marcador que confirma a infecção recente, sendo fundamental para o diagnóstico diferencial com exacerbações de hepatite crônica.
Nas hepatites virais agudas, as transaminases (ALT e AST) frequentemente ultrapassam 1.000 UI/L, com ALT geralmente superior à AST. Na hepatite alcoólica, os níveis são mais modestos (geralmente < 400-500 UI/L), a AST é pelo menos duas vezes maior que a ALT, e há frequentemente elevação desproporcional da Gama-GT.
Diferente da infecção neonatal (onde o risco é > 90%), a infecção pela Hepatite B adquirida na idade adulta cronifica em apenas 5% a 10% dos casos. A maioria dos adultos imunocompetentes consegue clarear o HBsAg e desenvolver anti-HBs, conferindo imunidade duradoura.
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