Hepatite A Aguda: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Homem, 38 anos de idade, procura a UPA com queixas de icterícia, febre, mal-estar e náuseas, há cerca de três dias. Refere ter retornado de uma viagem à praia há cerca de 30 dias. Ao exame físico, apresenta-se lúcido e orientado, com icterícia 2+/4. Ausculta cardiorrespiratória sem alterações. Abdome com hepatomegalia e esplenomegalia discretas. Exame neurológico sem alterações. Os exames laboratoriais evidenciaram: Hb: 12g/dL, leucócitos: 9mil/mm³, plaquetas: 200mil/mm³, AST: 900U/L (VR 40), ALT: 980U/L (VR 40), Fosfatase alcalina: 400U/L (VR 150), GamaGT: 300U/L (VR 60), BT: 5,0mg/dL, RNI: 1,7.Indique a conduta terapêutica inicial mais apropriada para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Administração de imunoglobulina.
  2. B) Iniciar terapia antiviral específica.
  3. C) Repouso e medidas de suporte.
  4. D) Encaminhamento para transplante hepático.

Pérola Clínica

Hepatite viral aguda sem sinais de insuficiência hepática → Repouso e suporte.

Resumo-Chave

A maioria das hepatites virais agudas é autolimitada. O tratamento foca em suporte clínico e monitoramento de sinais de falência hepática, como RNI alargado e encefalopatia.

Contexto Educacional

A hepatite A é uma infecção viral causada pelo vírus HAV, transmitida pela via fecal-oral. O quadro clínico clássico envolve uma fase prodrômica inespecífica seguida por uma fase ictérica. O diagnóstico é confirmado pela presença de anticorpos anti-HAV IgM. A fisiopatologia envolve a replicação viral nos hepatócitos e a resposta imune do hospedeiro, que causa a lesão celular. Na maioria dos adultos, a doença é autolimitada e não cronifica, ao contrário das hepatites B e C. O manejo foca na prevenção de complicações e monitoramento da função sintética do fígado através do tempo de protrombina/RNI.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de hepatite A?

A suspeita clínica ocorre em pacientes com pródromo viral (febre, mal-estar, náuseas) seguido de icterícia e colúria, especialmente com histórico de exposição fecal-oral ou viagens a áreas endêmicas cerca de 2 a 6 semanas antes. Laboratorialmente, observa-se elevação acentuada de transaminases (frequentemente > 1000 U/L) e bilirrubinas.

Qual a conduta na hepatite A aguda?

O tratamento é eminentemente de suporte, incluindo repouso relativo, hidratação adequada e dieta conforme tolerância. Deve-se evitar substâncias hepatotóxicas, como álcool e certos medicamentos (ex: paracetamol em doses altas). A internação é reservada para casos com desidratação grave, vômitos incoercíveis ou sinais de insuficiência hepática aguda.

Quais os sinais de gravidade na hepatite viral?

Os principais sinais de evolução para hepatite fulminante incluem o alargamento do RNI (> 1,5) e a presença de encefalopatia hepática (alteração do nível de consciência, flapping). Nesses casos, o paciente deve ser monitorado em ambiente de terapia intensiva e avaliado para possível transplante hepático de urgência.

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