HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Homem, 22 anos, procura a emergência com quadro de icterícia há 2 semanas, dor em hipocôndrio direito e náuseas. O paciente faz uso de drogas injetáveis. São realizados exames laboratoriais: TGP 102 UI/L, TGO 40 UI/L; BT 3,6 mg/dL e BD 2,4 mg/dL; HBsAg negativo, Anti-HBs reagente (>1000 UI/L), Anti-HbC IgM e total negativos; Anti-HAV IgM e total negativos; Anti-HCV reagente; PCR HCV 6.000.000 UI/mL, Genótipo HCV 1b. Em relação ao caso, afirma-se:I. A ocorrência de icterícia sugere o genótipo CC do gene IL28B, que indica uma chance pequena de resolução espontânea do HCV após a infecção aguda.II. O painel sorológico e a condição do paciente apontam para um risco baixo de reinfecção pelo HCV após a infecção atual.III. O tratamento com sofosbuvir e ledipasvir neste paciente diminuiria a chance de cronificação do HCV.Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
Hepatite C aguda: tratamento precoce com DAA (ex: sofosbuvir/ledipasvir) previne cronificação.
O paciente apresenta um quadro de hepatite C aguda, evidenciado pela sorologia (Anti-HCV reagente e PCR HCV positivo) e clínica (icterícia, dor HD, náuseas, fatores de risco). O tratamento com antivirais de ação direta (DAA), como sofosbuvir e ledipasvir, é altamente eficaz e, quando iniciado na fase aguda, pode prevenir a cronificação da infecção pelo HCV, que ocorre em cerca de 75-85% dos casos não tratados.
A hepatite C é uma infecção viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV), transmitida principalmente por via parenteral, como o uso de drogas injetáveis. A infecção pode ser aguda ou crônica. A fase aguda é frequentemente assintomática, mas pode apresentar sintomas inespecíficos como fadiga, náuseas, dor abdominal e, em uma minoria dos casos, icterícia. O diagnóstico é feito pela detecção de anticorpos anti-HCV e RNA do HCV (PCR HCV). A história natural da hepatite C mostra que cerca de 15-25% dos pacientes eliminam o vírus espontaneamente na fase aguda, enquanto 75-85% progridem para a infecção crônica. A infecção crônica pode levar a complicações graves como cirrose, insuficiência hepática e hepatocarcinoma. A presença de icterícia na fase aguda sugere uma resposta inflamatória mais intensa, mas não está diretamente ligada ao genótipo IL28B, que influencia a resposta ao tratamento com interferon (menos usado hoje). O tratamento da hepatite C, tanto aguda quanto crônica, revolucionou-se com os antivirais de ação direta (DAA). Medicamentos como sofosbuvir e ledipasvir, combinados, são altamente eficazes, com taxas de cura (resposta virológica sustentada) superiores a 95% para a maioria dos genótipos, incluindo o 1b. O tratamento precoce na fase aguda é fundamental para prevenir a cronificação e suas consequências a longo prazo, sendo uma conduta padrão atualmente.
O diagnóstico de hepatite C aguda é estabelecido pela presença de Anti-HCV reagente e RNA do HCV detectável (PCR HCV positivo) em um paciente com elevação das transaminases e, frequentemente, com fatores de risco como uso de drogas injetáveis.
O tratamento da hepatite C na fase aguda com antivirais de ação direta (DAA) é crucial para aumentar significativamente as chances de erradicação viral e prevenir a cronificação da infecção, que ocorre na maioria dos casos não tratados e pode levar a cirrose e hepatocarcinoma.
Os antivirais de ação direta (DAA) são uma classe de medicamentos que agem em diferentes etapas do ciclo de vida do vírus da hepatite C. Exemplos incluem combinações como sofosbuvir/ledipasvir, sofosbuvir/velpatasvir e glecaprevir/pibrentasvir, que oferecem altas taxas de cura para todos os genótipos.
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