HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Criança de 5 anos, previamente hígida, com a carteira vacinal atualizada, é trazida com 3 dias de dor abdominal, náuseas e mal-estar, sem febre. Ao exame físico, apresenta icterícia discreta e dor à palpação em hipocôndrio direito. Os exames realizados revelaram: ALT = 180 UI/L, AST = 110 UI/L, Bilirrubina total = 5,2 mg/dL, indireta = 4,5 mg/dL, direta = 0,7 mg/dL. Sorologias realizadas: Hepatite A: IgM negativo e IgG positivo, Hepatite B: AgHBc negativo, AgHBe negativo, AgHBs negativo, anti-HBc negativo, anti-HBe negativo, anti-HBs positivo, Hepatite C: IgM e IgG negativos. O diagnóstico compatível com essa descrição clínico-laboratorial é:
Hepatite aguda com sorologias negativas para A/B pode ser C em fase prodrômica ou não A/B/C; HCV RNA é crucial para C.
A interpretação das sorologias é fundamental para o diagnóstico das hepatites virais. Embora as sorologias para Hepatite C (IgM e IgG) sejam negativas, a apresentação clínica de hepatite aguda pode corresponder a uma fase prodrômica muito inicial, antes da soroconversão, ou a uma hepatite viral não A, não B e não C. O perfil de bilirrubinas predominantemente indireta é atípico para hepatite viral aguda, que geralmente cursa com predomínio de bilirrubina direta ou mista.
As hepatites virais agudas em crianças podem apresentar um quadro clínico inespecífico, com dor abdominal, náuseas e icterícia. A correta interpretação das sorologias é crucial para o diagnóstico etiológico. A Hepatite A é comum na infância, mas a vacinação reduziu sua incidência. A Hepatite B é frequentemente prevenida pela vacinação universal. A Hepatite C, embora menos comum em crianças, pode ser transmitida verticalmente ou por exposição a sangue contaminado. O diagnóstico diferencial de hepatite aguda com sorologias negativas para A e B deve incluir outras causas virais (como Hepatite E, CMV, EBV) e, em casos específicos, a Hepatite C em fase prodrômica, antes da soroconversão dos anticorpos. Nesses casos, a detecção do HCV RNA é essencial. O perfil de bilirrubinas é um dado importante: hepatites virais agudas tipicamente cursam com hiperbilirrubinemia mista ou predominantemente direta, enquanto a hiperbilirrubinemia indireta sugere outras etiologias como hemólise ou distúrbios de conjugação. É fundamental considerar que, em um cenário de hepatite aguda com sorologias negativas para os vírus mais comuns, a investigação deve prosseguir para agentes menos frequentes ou para a detecção de material genético viral (como HCV RNA) em fases muito precoces da infecção. A abordagem sindrômica e a solicitação de exames complementares direcionados são pilares para o manejo adequado e para evitar atrasos diagnósticos em condições que podem ter implicações a longo prazo.
A presença de IgM anti-HAV indica infecção aguda por Hepatite A. O IgG anti-HAV positivo na ausência de IgM indica imunidade prévia (por infecção passada ou vacinação) e não infecção aguda.
Anti-HBs positivo isolado geralmente indica imunidade à Hepatite B, seja por vacinação bem-sucedida ou por resolução de uma infecção prévia. A ausência de outros marcadores (AgHBs, anti-HBc) descarta infecção ativa.
Em fases muito precoces da Hepatite C aguda, os anticorpos (IgM e IgG anti-HCV) podem ainda ser negativos. Nesses casos, o diagnóstico definitivo requer a detecção do RNA do vírus da Hepatite C (HCV RNA) no sangue.
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