USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem, 27 anos atendido por icterícia, mal-estar, náuseas e fraqueza há uma semana. Nega febre, viagens, uso de álcool ou qualquer medicação nos últimos meses. Informa relações sexuais desprotegidas. Sem confusão mental ou outras alterações neurológicas. Nega episódios anteriores de icterícia e antecedentes familiares de hepatite. Exame físico: Bom estado geral, ictérico (+++/4+), sem estigmas de hepatopatia crônica. Abdome: plano, normotenso, fígado doloroso e palpável a 2 cm do rebordo costal direito, ruídos hidroaéreos normoativos.Exames complementares:AST: 139 UI/L; ALT: 144 UI/L; Gama GT: 30 UI/L; Fosfatase alcalina: 192 U/L; Bilirrubina total: 6,2 mg/dl; Bilirrubina indireta: 1,2 mg/dl; Bilirrubina direta: 5,0 mg/dl; Albumina: 4,3 g/dl; Tempo de protrombina (INR): 1,1; Ceruloplasmina: 0,4 g/l (0,2-0,6 g/l); FAN: Não reagente; Anti-músculo liso: não-reagente; HBsAg: Reagente; Anti-HBcIgM: Reagente; Anti-HBcIgG: Reagente; HBeAg: Reagente; Anti-HBeAg: não reagente; Anti-HBsAg: não reagente; HBV-DNA quantitativo: 109 UI/ml; Anti-HCV: não reagente; Anti-HIV: não reagente; Anti-HAVIgG: reagente.Qual é a conduta mais adequada?
Hepatite B aguda em adulto imunocompetente → geralmente autolimitada, conduta é seguimento clínico.
O perfil sorológico (HBsAg+, Anti-HBcIgM+, HBeAg+) e alta carga viral confirmam hepatite B aguda. Na ausência de sinais de gravidade ou cronicidade, a conduta inicial é o seguimento clínico, pois a maioria dos casos em adultos imunocompetentes resolve-se espontaneamente.
A hepatite B aguda é uma infecção viral do fígado causada pelo vírus da hepatite B (HBV). É transmitida por contato com sangue ou fluidos corporais infectados, incluindo relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de agulhas e transmissão vertical. A maioria dos adultos imunocompetentes apresenta um curso autolimitado, com resolução espontânea da infecção, mas uma pequena porcentagem pode evoluir para hepatite fulminante ou cronicidade, especialmente em imunocomprometidos e neonatos. A prevalência global da hepatite B é significativa, tornando seu diagnóstico e manejo cruciais na prática clínica. O diagnóstico da hepatite B aguda baseia-se na apresentação clínica (icterícia, mal-estar, náuseas) e, principalmente, na sorologia. A presença de HBsAg e Anti-HBcIgM é diagnóstica de infecção aguda. Níveis elevados de transaminases (AST/ALT) e bilirrubinas são comuns. O HBV-DNA quantitativo reflete a replicação viral. É importante diferenciar a fase aguda da crônica e de outras causas de hepatite. A conduta na hepatite B aguda em adultos imunocompetentes é predominantemente de suporte e seguimento clínico, sem necessidade de tratamento antiviral na maioria dos casos. O tratamento antiviral é considerado em situações específicas, como hepatite fulminante, doença grave ou prolongada, ou em pacientes imunocomprometidos. O prognóstico é geralmente bom para a maioria dos pacientes que se recuperam da fase aguda, desenvolvendo imunidade protetora.
Na hepatite B aguda, os marcadores incluem HBsAg reagente, Anti-HBcIgM reagente e, frequentemente, HBeAg reagente. O Anti-HBcIgG também pode ser reagente, indicando uma resposta imune mais tardia ou infecção prévia.
O tratamento antiviral para hepatite B aguda é geralmente reservado para casos graves (encefalopatia, coagulopatia), prolongados, ou em pacientes imunocomprometidos. A maioria dos adultos imunocompetentes tem resolução espontânea.
A presença de Anti-HBcIgM é o marcador chave da fase aguda. Na hepatite B crônica, o Anti-HBcIgM é negativo, enquanto o HBsAg e o Anti-HBcIgG são reagentes, com ou sem HBeAg.
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