Hepatite B Aguda: Diagnóstico e Interpretação Laboratorial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025

Enunciado

O paciente, um homem de 50 anos, relata sintomas persistentes de mal-estar geral e dor abdominal difusa, há alguns dias. Além disso, enfrenta fadiga extrema, episódios intermitentes de náuseas e uma acentuada falta de apetite. Não possui histórico conhecido de doenças hepáticas prévias nem exposição a fatores de risco como álcool ou toxinas. O destaque do quadro é a sorologia reativa para hepatite B (HBsAg reagente), juntamente com a identificação de hepatomegalia discreta à palpação abdominal, sem outras descobertas relevantes durante o exame físico. Alguns resultados laboratoriais apresentados são: ALT (alanina aminotransferase): 8000 U/L (normal até 30 U/L); AST (aspartato aminotransferase): 5000 U/L (normal até 35 U/L);  Bilirrubina total: 1.2 mg/dL (normal até 1.2 mg/dL);  Bilirrubina direta: 0.6 mg/dL (normal até 0.4 mg/dL), e  Coagulograma: dentro dos limites de normalidade. Conforme Informações em relação ao caso clínico, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) A presença de HBsAg sugere uma possível hepatite pelo vírus B, necessitando da avaliação do Anti-HBc IgM/IgG para determinar a presença hepatite aguda ou não. As elevações moderadas nas enzimas hepáticas ALT e AST, deste caso, indicam dano aos hepatócitos e refletem disfunção hepática grave e, portanto, alteração importante da função hepática.
  2. B) A elevação discreta da bilirrubina direta, mesmo dentro dos limites normais para a bilirrubina total, pode indicar um início de dificuldades na excreção biliar. Contudo, é crucial destacar que essa elevação não é conclusiva para um diagnóstico de colestase, requerendo a avaliação tanto da fosfatase alcalina (FA) quanto da gamaglutamiltransferase (GGT), que são frequentemente consideradas indicativas de colestase.
  3. C) Este paciente provavelmente apresenta uma hepatite pelo vírus B, mas necessitando avaliar outros anticorpos para melhor caracterizar a fase da doença. Além disso, o acompanhamento destes pacientes, através da avaliação laboratorial, ultrassonografia e elastografia hepática pode ser necessário, principalmente nos pacientes que cronificam, identificando a progressão da doença e a necessidade de intervenção terapêutica.
  4. D) A detecção do HBsAg confirma a infecção pelo vírus da hepatite B. Já quando se observa a presença do anticorpo anti-HBs, antiHBc total e anti-HBe, em vez dos antígenos HBsag e HBeAg, geralmente indicam uma transição na fase da infecção pelo vírus da hepatite B (VHB), o que pode ser o resultado natural da resposta imune do corpo ou pode ocorrer em resposta a tratamentos antivirais.
  5. E) Quanto aos medicamentos antivirais para hepatite B, como entecavir, tenofovir disoproxil fumarate (TDF), tenofovir alafenamide (TAF), a escolha é baseada na eficácia, perfil de segurança, presença de comorbidades, resistência viral e potenciais interações medicamentosas. Por exemplo, TAF e TDF são altamente eficazes na supressão viral, sendo que o TAF é associado a menos impacto na saúde óssea e renal em comparação ao TDF.

Contexto Educacional

A hepatite B é uma infecção viral que pode se apresentar de forma aguda ou crônica, com um espectro de manifestações clínicas que variam de assintomáticas a insuficiência hepática fulminante. A compreensão dos marcadores sorológicos é fundamental para o diagnóstico preciso da fase da doença, o que é crítico para o manejo e prognóstico. A infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) representa um problema de saúde pública global, com milhões de pessoas afetadas. O diagnóstico da hepatite B aguda é estabelecido pela presença do antígeno de superfície do VHB (HBsAg) e do anticorpo IgM contra o antígeno do core (Anti-HBc IgM). Elevações das aminotransferases (ALT e AST) são marcadores de dano hepatocelular. Níveis de ALT e AST na casa dos milhares, como no caso apresentado (8000 U/L e 5000 U/L), indicam uma lesão hepática aguda e grave, e não "moderada", refletindo uma necrose hepatocelular extensa. A bilirrubina e o coagulograma fornecem informações adicionais sobre a função hepática e a gravidade da doença. O acompanhamento de pacientes com hepatite B é essencial, especialmente aqueles que cronificam, devido ao risco de cirrose e carcinoma hepatocelular. A avaliação laboratorial seriada, ultrassonografia e elastografia hepática são ferramentas importantes para monitorar a progressão da doença. O tratamento antiviral, com medicamentos como entecavir, tenofovir disoproxil fumarate (TDF) e tenofovir alafenamide (TAF), é indicado para pacientes com doença crônica ativa, visando a supressão viral e a prevenção de complicações. A escolha do antiviral depende de fatores como eficácia, perfil de segurança e comorbidades.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hepatite B aguda de crônica pelos marcadores sorológicos?

A hepatite B aguda é caracterizada pela presença de HBsAg e Anti-HBc IgM. Na hepatite B crônica, o HBsAg persiste por mais de seis meses, e o Anti-HBc IgG é positivo, enquanto o Anti-HBc IgM é geralmente negativo.

O que significam elevações muito altas de ALT e AST?

Elevações de ALT e AST na casa dos milhares (como 8000 U/L e 5000 U/L) indicam dano hepatocelular agudo e grave, frequentemente associado a hepatites virais agudas, lesão hepática induzida por drogas ou isquemia.

Qual a importância do coagulograma na avaliação da hepatite aguda grave?

O coagulograma é um indicador crucial da função sintética hepática. Um coagulograma alterado (INR elevado, tempo de protrombina prolongado) em um paciente com hepatite aguda grave pode indicar insuficiência hepática aguda, uma condição de alta mortalidade.

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