HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Uma criança de 8 anos, previamente saudável, é avaliada por quadro de febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal e icterícia. Há 2 dias, os pais notaram urina escura e fezes claras. A criança frequenta escola pública, e, recentemente, colegas de classe apresentaram sintomas semelhantes. No exame, observam-se hepatomegalia dolorosa e icterícia. AST e ALT estão significativamente elevadas; bilirrubina total: 6,5 mg/dL (direta: 4,2 mg/dL). Aguarda resultado de sorologias. De acordo com os dados apresentados, a conduta imediata adequada consiste em:
Hepatite A aguda = Suporte clínico + Sintomáticos (evitar drogas hepatotóxicas).
A Hepatite A é autolimitada na maioria das crianças; o manejo foca em repouso relativo, dieta aceitável e monitoramento de sinais de insuficiência hepática.
A Hepatite A é causada por um vírus RNA (HAV) transmitido principalmente pela via fecal-oral, sendo muito comum em ambientes escolares com saneamento precário. O quadro clínico em crianças maiores de 5 anos costuma ser sintomático, apresentando o padrão clássico de hepatite viral aguda com icterícia e elevação de transaminases. O diagnóstico definitivo é sorológico (IgM anti-HAV positivo). A prevenção é feita através da vacinação (disponível no PNI aos 15 meses) e medidas de higiene. O prognóstico é excelente, com recuperação completa da função hepática na quase totalidade dos pacientes pediátricos.
A fase ictérica da Hepatite A em crianças geralmente se manifesta após um pródromo inespecífico (febre, náuseas, vômitos). Os sinais clássicos incluem icterícia visível, colúria (urina escura devido à bilirrubina direta) e acolia fecal (fezes claras por redução do estercobilinogênio). Ao exame físico, é comum encontrar hepatomegalia dolorosa e, por vezes, esplenomegalia. Laboratorialmente, observa-se elevação acentuada de transaminases (AST/ALT), muitas vezes acima de 1000 U/L.
A Hepatite A é uma doença viral autolimitada e não cronifica. Não existe tratamento antiviral específico aprovado ou necessário para casos típicos. O objetivo do suporte clínico é garantir a hidratação, oferecer uma dieta leve conforme a tolerância da criança (evitando excesso de gorduras se houver náuseas) e evitar o uso de medicamentos metabolizados pelo fígado (como paracetamol em doses altas) que possam agravar a lesão hepática enquanto o órgão se recupera.
Embora rara na Hepatite A (menos de 1% dos casos), a hepatite fulminante é uma emergência médica. Deve-se suspeitar quando houver alteração do sensório (encefalopatia hepática, como irritabilidade extrema ou sonolência), queda súbita do tamanho do fígado, ou alargamento importante do tempo de protrombina (RNI > 1,5 com encefalopatia ou > 2,0 sem encefalopatia) que não corrige com vitamina K. Nesses casos, a transferência para centro de transplante hepático é mandatória.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo