IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Paciente de 8 anos, masculino, relata dor abdominal difusa, acompanhada de náuseas e vômitos, há 02 dias. Relata viagem recente para casa dos avós no interior do estado, onde ficou por 14 dias. Acompanhante avô relata que o jovem ia brincar bastante na natureza, pelo sítio e que não sabe referir se teve contato com animais peçonhentos. Criança relata que comia pequenas frutas próximas a um riacho, onde eram despejados os dejetos dos moradores locais. Solicitados exames laboratoriais, com TGO 400 U/mL, TGP 420 U/mL, fosfatase alcalina 130 U/L, gamaglutamiltransferase 70 U/L, bilirrubina total e frações 1,5 mg/dL (direta 1,2 mg/dL e indireta 0,3 mg/dL), Hemoglobina 14,6g/dL, leucograma 16 mil/mm3, plaquetas 180mil/mm3, PCR 145mg/dL. Exame físico demonstra uma discreta icterícia, com dor abdominal em cólica difusa, sem sinais de peritonite. Refere vacinação em dia para hepatite B sem ter tido infecção prévia, mas desconhece para hepatite A. Aventada hipótese de hepatites, qual a provável sorologia para o caso?
Criança com hepatite aguda + exposição fecal-oral + Anti-HAV IgM positivo = Hepatite A aguda.
O quadro clínico (dor abdominal, náuseas, vômitos, icterícia, elevação de transaminases) e epidemiológico (exposição a água contaminada) em uma criança é altamente sugestivo de hepatite A. A sorologia confirma a infecção aguda com Anti-HAV IgM positivo e Anti-HAV IgG negativo.
A hepatite A é uma infecção viral aguda do fígado causada pelo vírus da hepatite A (HAV), que é transmitido principalmente pela via fecal-oral. É uma doença comum em crianças, especialmente em regiões com saneamento básico deficiente ou após exposição a ambientes com risco de contaminação, como o relatado na questão (consumo de frutas próximas a riacho com dejetos). O quadro clínico típico inclui sintomas gastrointestinais como dor abdominal, náuseas e vômitos, seguidos por icterícia e elevação das transaminases hepáticas (TGO e TGP). O diagnóstico da hepatite A aguda é confirmado pela sorologia. O marcador chave é o Anti-HAV IgM (Imunoglobulina M), que se torna positivo no início da doença e permanece detectável por alguns meses. O Anti-HAV IgG (Imunoglobulina G) surge mais tardiamente e persiste por toda a vida, conferindo imunidade. A ausência de marcadores de hepatite B (HBsAg negativo, Anti-HBc total negativo) e a presença de Anti-HBs positivo (por vacinação prévia) descartam infecção aguda ou crônica por HBV. O tratamento da hepatite A é de suporte, pois a doença geralmente é autolimitada. A prevenção é feita através da melhoria das condições de saneamento e higiene, além da vacinação, que é altamente eficaz. Residentes devem estar aptos a reconhecer o quadro clínico e interpretar a sorologia para um diagnóstico e manejo adequados, bem como para orientar medidas preventivas.
Os sintomas comuns incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, fadiga, febre baixa, urina escura, fezes claras e icterícia. Em crianças pequenas, a infecção pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves.
A transmissão do vírus da hepatite A (HAV) ocorre principalmente pela via fecal-oral, através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas, ou por contato direto com indivíduos doentes.
O Anti-HAV IgM indica infecção aguda ou recente pelo vírus da hepatite A, sendo o marcador diagnóstico principal. O Anti-HAV IgG indica imunidade prévia à infecção (por infecção passada ou vacinação) e confere proteção a longo prazo.
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