HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Mulher, 23 anos, refere cansaço, anorexia e icterícia que iniciaram quatro semanas após viagem por praias ''selvagens''. Usuária de drogas ilícitas injetáveis. Exame físico evidencia, além da icterícia, hepatoesplenomegalia. Exames laboratoriais: AST 10880 UI/L, ALT 125000 UI/L, fosfatase alcalina 88 UI/L, RNI 1,1 e bilirrubina total de 3,7 mg/dL. Anti HVA IgM não reagente, HBsAg positivo, anti-HCV não reagente. Para determinar a etiologia da hipótese diagnóstica do caso clínico, indica-se a. I. dosagem de anti HVA IgG. II. dosagem de anti-HBc IgM. III. pesquisa do RNA-HCV pela PCR. Estão corretas as afirmativas
HBsAg (+) com quadro agudo + uso de drogas injetáveis → investigar hepatite B aguda (anti-HBc IgM) e hepatite C (RNA-HCV PCR).
O HBsAg positivo indica infecção por hepatite B (aguda ou crônica). Para diferenciar a fase aguda, o anti-HBc IgM é o marcador chave. A história de uso de drogas injetáveis, mesmo com anti-HCV não reagente, exige a pesquisa de RNA-HCV por PCR para descartar infecção aguda por HCV, que pode ter janela sorológica.
O caso clínico apresenta um quadro de hepatite aguda grave, com elevação acentuada de transaminases (AST e ALT), icterícia e hepatoesplenomegalia, em uma paciente jovem com fatores de risco importantes: viagem para áreas "selvagens" e uso de drogas ilícitas injetáveis. A presença de HBsAg positivo indica infecção pelo vírus da hepatite B, mas é crucial determinar se é uma infecção aguda ou uma exacerbação de uma infecção crônica. Além disso, a história de uso de drogas injetáveis levanta a suspeita de hepatite C, mesmo com o anti-HCV não reagente. Para diferenciar a hepatite B aguda de uma infecção crônica, a dosagem de anti-HBc IgM (anticorpo anti-core IgM) é fundamental. Este marcador é o primeiro anticorpo a surgir na fase aguda da infecção e permanece positivo por cerca de 6 meses, sendo o principal indicador de infecção recente. A dosagem de anti-HVA IgG seria útil para verificar imunidade prévia ou infecção passada por hepatite A, mas o anti-HVA IgM já foi negativo, descartando infecção aguda por HAV. Em relação à hepatite C, a história de uso de drogas injetáveis é um forte fator de risco. O anti-HCV pode demorar a positivar (janela sorológica), o que significa que um resultado não reagente não exclui uma infecção aguda recente. Nesses casos, a pesquisa do RNA-HCV pela PCR (reação em cadeia da polimerase) é essencial para detectar a presença do vírus e confirmar o diagnóstico de hepatite C aguda, permitindo o início precoce do tratamento e a prevenção da cronicidade. Portanto, as afirmativas II e III são as corretas para determinar a etiologia neste cenário.
O anti-HBc IgM é o marcador mais confiável para o diagnóstico de hepatite B aguda, pois ele se torna positivo precocemente e permanece detectável por cerca de 6 meses, diferenciando a infecção aguda da crônica ou de uma infecção passada.
Em casos de hepatite C aguda, o anti-HCV pode levar semanas a meses para se tornar reagente (janela sorológica). A pesquisa de RNA-HCV por PCR detecta o vírus diretamente, permitindo o diagnóstico precoce da infecção aguda, especialmente em pacientes de alto risco como usuários de drogas injetáveis.
Os principais fatores de risco são o uso de drogas ilícitas injetáveis, que aumenta o risco de transmissão parenteral de hepatite B e C, e a viagem para áreas com saneamento precário, que poderia aumentar o risco de hepatite A ou E, embora os marcadores para hepatite A tenham sido negativos.
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