Hepatite A Aguda: Diagnóstico e Diferenciais Clínicos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 25 anos de idade comparece à Unidade Básica de Saúde informando que teve contato com água de enchente, sem uso de proteção há 15 dias. Iniciou há uma semana com febre de 38°C, mialgia, náuseas, vômitos e dor no hipocôndrio direito. Há dois dias relata que teve melhora parcial do quadro, mas ficou ictérico. Ao exame físico, apresenta-se corado, hidratado, ictérico (++/4+), acianótico. Restante do exame físico estava normal, exceto no exame de abdome, onde apresentou dor a palpação no hipocôndrio direito e hepatomegalia a 4cm do RCD. No dia anterior havia realizado exames laboratoriais onde foi visto hemograma sem alterações, bilirrubinas totais de 16mg/dL (à custa de bilirrubina direta = 14mg/dL), TGO = 500U/L e TGP = 3.000U/L. Ureia, creatinina e eletrólitos sem alterações. Levando em consideração os aspectos clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, dos exames abaixo, qual é o indicado para a confirmação diagnóstica deste caso:

Alternativas

  1. A) Biologia molecular (RT-PCR) para leptospirose
  2. B) Exame sorológico para febre amarela (dosagem de anticorpo IgG)
  3. C) Exame sorológico para hepatite A (Anti-HAV IgM)
  4. D) Teste rápido imunocromatográfico para o diagnóstico de leishmaniose visceral

Pérola Clínica

Icterícia + transaminases muito elevadas (>1000 U/L) + bilirrubina direta alta + fase prodrômica → Sugere Hepatite A aguda. Anti-HAV IgM confirma.

Resumo-Chave

O quadro clínico com febre, mialgia, náuseas, vômitos, seguido por icterícia e melhora parcial dos sintomas sistêmicos, associado a transaminases muito elevadas (TGP > TGO) e hiperbilirrubinemia direta, é altamente sugestivo de hepatite viral aguda, em particular Hepatite A. O contato com água de enchente é um fator de risco para ambas, mas o perfil hepático favorece a hepatite viral.

Contexto Educacional

A Hepatite A é uma infecção viral aguda do fígado causada pelo vírus da hepatite A (HAV), transmitida principalmente pela via fecal-oral, frequentemente associada à ingestão de água ou alimentos contaminados. É uma doença de distribuição mundial, com maior prevalência em áreas com saneamento básico deficiente. A doença geralmente tem um curso autolimitado e não cronifica, mas pode ser grave em alguns casos, especialmente em adultos. O quadro clínico da Hepatite A pode ser assintomático, anictérico ou ictérico. A fase prodrômica (pré-ictérica) dura de alguns dias a duas semanas e é caracterizada por sintomas inespecíficos como febre, fadiga, náuseas, vômitos, dor abdominal e mialgia. A fase ictérica segue-se à prodrômica, com o surgimento de icterícia, colúria e acolia fecal, geralmente acompanhada de melhora dos sintomas sistêmicos. O exame físico pode revelar hepatomegalia e dor à palpação do hipocôndrio direito. O diagnóstico laboratorial é confirmado pela detecção de anticorpos IgM anti-HAV no soro, que aparecem no início da fase sintomática e persistem por vários meses. As transaminases (TGO e TGP) estão marcadamente elevadas (frequentemente >1000 U/L), e a bilirrubina total e direta também se elevam. O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e dieta leve. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz, e a notificação dos casos é compulsória para controle epidemiológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais típicos da Hepatite A aguda?

Na Hepatite A aguda, os achados laboratoriais típicos incluem elevação acentuada das transaminases (TGO e TGP, frequentemente acima de 1000 U/L), hiperbilirrubinemia (predominantemente direta) e, para confirmação, a presença de anticorpos Anti-HAV IgM.

Como diferenciar Hepatite A de Leptospirose em um paciente com icterícia e histórico de contato com enchente?

Embora ambas possam causar icterícia e serem associadas a enchentes, a Hepatite A geralmente apresenta transaminases muito mais elevadas e um curso bifásico com melhora dos sintomas sistêmicos antes da icterícia. A leptospirose pode ter disfunção renal e transaminases menos elevadas, além de outros sintomas como mialgia intensa e hemorragias.

Qual a importância do Anti-HAV IgM no diagnóstico da Hepatite A?

O Anti-HAV IgM é o marcador sorológico de escolha para o diagnóstico de infecção aguda por Hepatite A. Ele se torna detectável no início dos sintomas e permanece positivo por 3 a 6 meses, indicando uma infecção recente.

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