Hepatite B Aguda: Diagnóstico Sorológico e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 45 anos procurou a emergência com história de icterícia e colúria há sete dias, evoluindo com vômitos recorrentes. À admissão o paciente estava consciente e orientado, com fígado palpável cerca de 3 cm abaixo do rebordo costal direito e seus exames laboratoriais mostravam: TGO (AST) 1850 UI/ml - TGP (ALT) 3500 UI/ml - BT 10,8 mg/gl – BD 8,0 mg/dl – INR 2,1. Investigação sorológica mostrou antiHVA IgM negativo, antiHVA IgG positivo, antiHBc IgM positivo, HBsAg negativo. Com relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de hepatite B pode ser descartado, já que o HBsAg foi negativo.
  2. B) O início de entecavir pode ser benéfico neste caso.
  3. C) A presença do antiHBc positivo na ausência de HBsAg sugere que esse é um quadro de reativação de hepatite B crônica.
  4. D) O paciente deve ser listado imediatamente para transplante hepático, pois o INR alargado define o diagnóstico de insuficiência hepática aguda.
  5. E) O paciente deve ser hospitalizado imediatamente, pois níveis de transaminases acima de 3000 UI/ml predizem mau prognóstico.

Pérola Clínica

Anti-HBc IgM + HBsAg - → Hepatite B aguda (janela imunológica) ou HBsAg-negativa.

Resumo-Chave

A presença de anti-HBc IgM positivo na ausência de HBsAg é característica da janela imunológica da hepatite B aguda, onde o HBsAg já negativou e o anti-HBs ainda não surgiu. Nesses casos, o tratamento antiviral pode ser benéfico, especialmente com sinais de lesão hepática grave.

Contexto Educacional

A hepatite B aguda é uma infecção viral que pode variar de assintomática a fulminante. A compreensão da sorologia é fundamental para o diagnóstico correto. O anti-HBc IgM é o marcador mais confiável para identificar a infecção aguda, mesmo quando o HBsAg já negativou, caracterizando a chamada "janela imunológica". A avaliação da função hepática, incluindo transaminases e INR, é crucial para determinar a gravidade. A insuficiência hepática aguda é definida pela presença de coagulopatia (INR > 1,5) e encefalopatia em paciente sem doença hepática prévia. Níveis elevados de transaminases indicam lesão hepatocelular, mas não são o único preditor de prognóstico. O tratamento antiviral, como entecavir ou tenofovir, é indicado em casos de hepatite B aguda grave ou fulminante para reduzir a replicação viral e melhorar o prognóstico. É um erro comum descartar a hepatite B apenas pela ausência de HBsAg. A presença de anti-HBc IgM positivo é um forte indicativo de infecção aguda e deve guiar a conduta. O manejo envolve suporte clínico e, se indicado, terapia antiviral, além de monitoramento rigoroso para sinais de insuficiência hepática.

Perguntas Frequentes

Quais são os marcadores sorológicos da hepatite B aguda?

HBsAg, anti-HBc IgM e anti-HBc total são os principais marcadores. O anti-HBc IgM indica infecção aguda ou exacerbação de uma infecção crônica.

O que significa HBsAg negativo com anti-HBc IgM positivo?

Essa combinação sugere hepatite B aguda na fase de "janela imunológica", onde o HBsAg já desapareceu e o anti-HBs ainda não se tornou detectável.

Quando considerar tratamento antiviral na hepatite B aguda?

O tratamento antiviral, como entecavir, é considerado em casos de hepatite B aguda grave ou fulminante, caracterizada por coagulopatia e/ou encefalopatia.

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