Hepatite B Aguda: Diagnóstico Sorológico e Conduta Inicial

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 32 anos é atendido em um pronto-atendimento de uma cidade litorânea, enquanto passava férias na companhia de alguns amigos, em período de carnaval. A queixa principal é de que estava ficando amarelo e na anamnese surgiram dados de sintomas prodrômicos tais como náuseas, inapatetência, mal-estar inespecífico de início há 1 semana. Não estava confuso nem apresentava outras alterações do exame neurológico. Nega episódios prévios semelhantes. No exame físico inicial: paciente ictérico, sem estigmas de insuficiência hepática, sem ascite. O fígado estava doloroso e palpável a 4 cm do rebordo costal direito. Exames laboratoriais iniciais demonstraram: Bilirrubinas totais de 6.8 mg/dL (VR até 1.2) com bilirrubina direta de 6; gama-GT 30 (VR até 60); Fosfatase alcalina de 192 (VR até 110); aspartato aminotrasferase (AST) 140 (VR até 42) e alanina aminotransferase (ALT) de 160 (VR até 44). Albumina 4.3 (VR > 3.5), RNI de 1. Sorologias realizadas: HbsAg reagente – Anti-HBC IgM reagente – anti-HbsAg não reagente – Anti-HbeAg não reagente - Anti-HAV IgG reagente – Anti-HCV não reagente – Anti-HIV 1 e 2 não reagente. Nesse caso, qual a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A)  Imunoglobulina hiperimune.
  2. B)  Seguimento clínico.
  3. C)  Tratamento antiviral de início imediato.
  4. D)  Biopsia hepática.

Pérola Clínica

Hepatite B aguda: HBsAg (+) e Anti-HBc IgM (+) → Geralmente autolimitada, conduta inicial é seguimento clínico.

Resumo-Chave

O perfil sorológico HBsAg reagente e Anti-HBc IgM reagente, com Anti-HBs não reagente, indica infecção aguda pelo vírus da hepatite B. Na maioria dos casos, a hepatite B aguda é autolimitada e não requer tratamento antiviral específico, sendo o seguimento clínico a conduta inicial mais adequada.

Contexto Educacional

A hepatite B aguda é uma infecção viral do fígado causada pelo vírus da hepatite B (HBV), transmitida principalmente por via parenteral, sexual ou vertical. Caracteriza-se por um período prodrômico de sintomas inespecíficos, seguido por icterícia e elevação das enzimas hepáticas. A maioria dos casos em adultos imunocompetentes é autolimitada, com resolução espontânea da infecção. O diagnóstico da hepatite B aguda é estabelecido pela sorologia, com a detecção do HBsAg (antígeno de superfície) e do Anti-HBc IgM (anticorpo contra o core do vírus, da classe IgM), enquanto o Anti-HBs (anticorpo de superfície) é negativo. A presença de Anti-HAV IgG reagente indica imunidade prévia à hepatite A, e as demais sorologias negativas afastam outras causas comuns de hepatite viral. A conduta inicial na hepatite B aguda não complicada é o seguimento clínico, com monitoramento dos sintomas e da função hepática. O tratamento antiviral específico é raramente indicado, sendo reservado para casos de hepatite fulminante ou em pacientes com imunodeficiência. A imunoglobulina hiperimune e a vacina são utilizadas na profilaxia pós-exposição, não no tratamento da doença estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quais marcadores sorológicos indicam hepatite B aguda?

A presença de HBsAg reagente e Anti-HBc IgM reagente, com Anti-HBs não reagente, é diagnóstica de hepatite B aguda.

Qual a conduta inicial para hepatite B aguda não complicada?

Na maioria dos casos, a hepatite B aguda é autolimitada e a conduta inicial é o seguimento clínico, sem necessidade de tratamento antiviral específico.

Quando o tratamento antiviral é indicado na hepatite B aguda?

O tratamento antiviral é geralmente reservado para casos graves de hepatite B aguda, como insuficiência hepática aguda, ou em pacientes imunocomprometidos.

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