Hepatectomia Direita: Anatomia e Planejamento Cirúrgico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Considere um paciente com múltiplas metástases hepáticas limitadas ao lobo direito e que foi indicado uma hepatectomia direita. Em relação à anatomia e fisiologia aplicadas à cirurgia do fígado, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) As ressecções anatômicas carregam, de uma maneira geral, menor risco de sangramento e vazamento biliar do que as ressecções não anatómicas.
  2. B) A linha de Cantille, após a ligadura do pedículo direito, é acompanhada, em quase toda sua extensão dentro do parênquima hepático, pela veia hepática média.
  3. C) O segmento I (caudado), se não tiver metástase evidente, deve ser poupado.
  4. D) Se o lobo hepático esquerdo for insuficiente, será necessário (cerca de um més antes da cirurgia) a embolização da veia porta direita ou da veia hepática direita isoladamente. A embolização das duas é, praticamente, contraindicada, pois pode desencadear abscesso e/ou insuficiência hepática.
  5. E) A manobra de Pringle e/ou a exclusão vascular total podem ser utilizadas, conforme a necessidade.

Pérola Clínica

Embolização portal + hepática (LVDH) ↑ hipertrofia do remanescente e NÃO é contraindicada.

Resumo-Chave

A embolização portal visa induzir hipertrofia do lobo contralateral; a associação com a embolização da veia hepática é uma técnica moderna para otimizar o remanescente em fígados limítrofes.

Contexto Educacional

O conhecimento da anatomia segmentar de Couinaud é fundamental para hepatectomias seguras. A hepatectomia direita envolve a remoção dos segmentos V, VI, VII e VIII. O planejamento pré-operatório foca na volumetria; se o lobo esquerdo (segmentos II, III e IV) for pequeno, técnicas de indução de hipertrofia são mandatórias. A alternativa D está incorreta porque a 'bi-embolização' (porta + hepática) é uma técnica descrita para maximizar a regeneração, não sendo contraindicada por risco de abscesso de forma absoluta.

Perguntas Frequentes

O que é a linha de Cantlie e sua importância?

A linha de Cantlie é o plano anatômico que divide o fígado em lobos direito e esquerdo funcionais. Ela se estende da veia cava inferior até o fundo da vesícula biliar. Na cirurgia, é o plano de clivagem para hepatectomias maiores, sendo acompanhada internamente pela veia hepática média, que deve ser preservada ou manejada conforme a extensão da ressecção.

Quando é indicada a embolização da veia porta no pré-operatório?

A embolização da veia porta (EVP) é indicada quando o volume do futuro remanescente hepático (FLR) é insuficiente para manter a função pós-operatória (geralmente <20-25% em fígados saudáveis ou <40% em fígados cirróticos/lesados por quimioterapia). A EVP desvia o fluxo para o lobo contralateral, estimulando sua hipertrofia em 4 a 6 semanas.

Qual a função da manobra de Pringle?

A manobra de Pringle consiste no clampeamento do ligamento hepatoduodenal (contendo a artéria hepática e a veia porta) para controlar o influxo sanguíneo ao fígado. É utilizada para reduzir o sangramento durante a transecção do parênquima, podendo ser realizada de forma intermitente para minimizar a lesão de isquemia-reperfusão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo