Hemotórax Traumático: Diagnóstico e Sinais Chave no Trauma

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 25 anos, vítima de acidente motociclístico de alta energia cinética em rodovia. É atendido pela equipe de resgate e transferido ao centro de trauma mais próximo. Admitido em prancha rígida, com colar cervical, manta térmica e máscara de oxigênio 15 l/min. Administrado durante o transporte 500ml de ringer simples aquecido, 1g de ácido tranexâmico, 4mg de morfina e 2g de dipirona devido à dor e sinais de hipovolemia. Sinais vitais na admissão: Frequência cardíaca 130 bpm; Pressão arterial 100 x 60 mmHg; Frequência respiratória 22 ipm; Saturação de oxigênio periférica 85%; Temperatura axilar 35,9 ºC; Atendido conforme o protocolo de trauma. A - Via aérea pérvia, com colar cervical. B - Murmúrio reduzido à esquerda, maciço à percussão, com expansibilidade reduzida. Ausência de enfisema subcutâneo ou crepitação palpável. C - Taquicárdico, bulhas rítmicas, normofonéticas, ausência de estase jugular patológica. Tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Extremidades frias com pulso filiforme. D - Pupilas isocóricas, fotorreagentes, sem déficits focais. Abertura ocular espontânea, obedece a comandos verbais e está orientado. E - Sem lesões ameaçadoras à vida aparentes. Foi submetido aos exames abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Hemotórax.
  2. B) Pneumotórax hipertensivo.
  3. C) Tamponamento cardíaco.
  4. D) Contusão pulmonar.

Pérola Clínica

Murmúrio ↓ + macicez à percussão + hipovolemia pós-trauma → Hemotórax.

Resumo-Chave

O quadro clínico de murmúrio vesicular reduzido e macicez à percussão em um paciente vítima de trauma torácico, associado a sinais de hipovolemia e taquicardia, é altamente sugestivo de hemotórax. O pneumotórax hipertensivo, por outro lado, causaria timpanismo à percussão e desvio de traqueia.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em vítimas de acidentes de alta energia cinética, como os motociclísticos. O hemotórax, acúmulo de sangue na cavidade pleural, é uma lesão comum e potencialmente fatal, exigindo reconhecimento e manejo rápidos e eficazes, conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A fisiopatologia do hemotórax envolve o sangramento de vasos intercostais, vasos pulmonares ou grandes vasos torácicos. Clinicamente, o paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, extremidades frias) devido à perda sanguínea, além de comprometimento respiratório. No exame físico, a tríade clássica inclui murmúrio vesicular reduzido ou ausente, macicez à percussão e expansibilidade torácica diminuída no lado afetado. A saturação de oxigênio periférica reduzida e a taquipneia reforçam a suspeita. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax ou ultrassonografia (FAST). A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica e a drenagem torácica com um dreno de grosso calibre. A toracotomia de emergência é indicada em casos de sangramento maciço (débito inicial > 1500 mL ou > 200 mL/h por 2-4 horas). O prognóstico depende da extensão da lesão e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de hemotórax traumático?

Os principais sinais e sintomas de hemotórax traumático incluem dor torácica, dispneia, taquipneia, taquicardia, hipotensão (sinais de choque hipovolêmico), murmúrio vesicular diminuído ou ausente e macicez à percussão no lado afetado.

Como diferenciar hemotórax de pneumotórax hipertensivo no exame físico?

A diferenciação chave no exame físico reside na percussão e na presença de desvio de traqueia. O hemotórax causa macicez à percussão, enquanto o pneumotórax hipertensivo causa timpanismo e pode apresentar desvio de traqueia contralateral e estase jugular.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de hemotórax?

A conduta inicial para um paciente com suspeita de hemotórax, após a estabilização da via aérea e respiração, é a drenagem torácica com um dreno de grosso calibre. Isso permite a evacuação do sangue, a reexpansão pulmonar e a monitorização do débito para avaliar a necessidade de toracotomia.

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