Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2022
Paciente feminina, 26 anos, vítima de acidente motociclístico há 2 horas. É transferida ao serviço referência de trauma em prancha rígida, com colar cervical, com máscara de oxigênio com suplemento de 12l/min. Devido a sinais de choque hipovolêmico, durante o transporte foi administrado 500ml de ringer lactato e 1g de ácido tranexâmico. É admitida com os seguintes sinais vitais: pressão arterial: 90/40 mmHg, frequência cardíaca: 110 bpm, frequência respiratória: 19 irpm, saturação periférica de oxigênio: 98%, temperatura axilar: 36,7ºC. A: Vias aéreas pérvias, com colar cervical. B: Escoriações em hemitórax direito. Murmúrio vesicular presente difusamente, mas reduzido, abolido em base direita. Percussão duvidosa devido ao grande volume de ruídos na sala do trauma. Ausência de hipertimpanismo. Ausência de enfisema subcutâneo. C: Bulhas rítmicas, taquicárdicas, sem sopros audíveis. Ausência de estase jugular patológica. D: Orientada, escala de Glasgow com 14 pontos. Pupilas isocóricas, fotorreagentes, sem déficits focais. E: Sem outras lesões ameaçadoras à vida. Abdome indolor, flácido, sem sinais de irritação peritoneal. Pelve fechada. Membros sem alterações. Após reanimação volêmica, foi submetida a radiografia de tórax abaixo na sala do trauma. A conduta imediata mais adequada para este caso é:
Choque hipovolêmico + murmúrio ↓ + macicez em trauma torácico → Hemotórax = Drenagem pleural.
Paciente em choque hipovolêmico após trauma torácico com achados de murmúrio vesicular reduzido/abolido e percussão duvidosa (sugestiva de macicez) na base direita indica hemotórax, cuja conduta imediata é a drenagem pleural.
O trauma torácico é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes vítimas de acidentes, como o motociclístico. A avaliação inicial e o manejo rápido, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), são cruciais para identificar e tratar lesões ameaçadoras à vida, como o hemotórax. O hemotórax ocorre pelo acúmulo de sangue na cavidade pleural, geralmente decorrente de lacerações pulmonares, vasos intercostais ou grandes vasos. Clinicamente, manifesta-se com dor torácica, dispneia, taquicardia e hipotensão (sinais de choque hipovolêmico), além de murmúrio vesicular reduzido ou abolido e macicez à percussão no lado afetado. A radiografia de tórax confirma o diagnóstico. A conduta imediata para um hemotórax significativo, especialmente em paciente instável hemodinamicamente, é a drenagem pleural com um dreno de tórax de grosso calibre. Isso permite a evacuação do sangue, a reexpansão pulmonar e a monitorização do débito para avaliar a necessidade de toracotomia. A reposição volêmica agressiva é fundamental para combater o choque hipovolêmico.
Os sinais incluem dispneia, taquipneia, taquicardia, hipotensão (choque), murmúrio vesicular diminuído ou abolido, e macicez à percussão no lado afetado.
O hemotórax é acúmulo de sangue na cavidade pleural, causando macicez e choque hipovolêmico. O pneumotórax hipertensivo é acúmulo de ar sob pressão, causando hipertimpanismo, desvio de traqueia e choque obstrutivo.
A toracotomia de urgência é indicada em casos de hemotórax maciço (drenagem inicial > 1500 mL ou > 200 mL/h por 2-4 horas) ou instabilidade hemodinâmica persistente apesar da drenagem e reposição volêmica.
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