HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
Paciente masculino, 38 anos, dá entrada no pronto socorro, trazido pelo SIATE em tábua rígida e colar cervical. Foi vítima de colisão auto anteparo onde ele era o condutor de um veículo que bateu em um poste de energia elétrica. A colisão provocou uma intrusão de mais ou menos 60 cm na frente do veículo e o velocímetro registrava 110km/h. O veículo em questão é de um modelo antigo e não possuía airbag e o mesmo não fazia uso do cinto de segurança. Os dados vitais eram PA(pressão arterial) 76/38mmHg, P(pulso)= 130bpm, FR(frequência respiratória)= 22 irpm e SaO2 (saturação de O2)= 86%. Em avaliação primária, foi ofertado O2 para esse paciente e a saturaçãosubiu para 90%. O exame torácico à inspeção apresentava equimoses principalmente à esquerda, você palpou uma crepitação óssea em região lateral do terço médio do hemitórax a esquerda; à ausculta o murmúrio vesicular estava abolido em hemitórax a esquerda com macicez à percussão. A hipótese mais provável é:
Trauma torácico + MV abolido + macicez + choque = Hemotórax, necessita drenagem torácica.
O quadro clínico de um paciente vítima de trauma torácico fechado, apresentando sinais de choque hipovolêmico, murmúrio vesicular abolido e macicez à percussão no hemitórax afetado, é altamente sugestivo de hemotórax. A crepitação óssea indica fratura de costela, que pode ser a causa do sangramento.
O hemotórax traumático é uma condição grave que ocorre quando há acúmulo de sangue na cavidade pleural, geralmente resultante de trauma torácico fechado ou penetrante. É uma causa comum de choque hipovolêmico em pacientes traumatizados, e sua identificação e manejo rápidos são cruciais para a sobrevida. A etiologia mais comum é a laceração de vasos intercostais ou pulmonares por fraturas de costelas, mas também pode ser causada por lesões de grandes vasos ou órgãos intratorácicos. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com história de trauma torácico que apresentam dispneia, taquicardia, hipotensão e, ao exame físico, murmúrio vesicular abolido e macicez à percussão no lado afetado. A radiografia de tórax é o exame inicial, mostrando opacificação homogênea do hemitórax. A ultrassonografia (FAST) pode identificar líquido na cavidade pleural rapidamente. A avaliação primária e secundária do trauma, conforme o ATLS, é fundamental para o reconhecimento e estabilização do paciente. O tratamento inicial consiste na estabilização hemodinâmica e na drenagem do sangue da cavidade pleural através de um dreno torácico de grosso calibre. A monitorização do volume drenado é essencial para identificar sangramentos contínuos que possam indicar a necessidade de toracotomia. A reposição volêmica agressiva é necessária para combater o choque hipovolêmico. A não identificação e tratamento adequado podem levar a complicações como choque, empiema e fibrotórax.
Os sinais e sintomas incluem dor torácica, dispneia, taquipneia, taquicardia e hipotensão (sinais de choque). Ao exame físico, observa-se murmúrio vesicular abolido ou diminuído, macicez à percussão no hemitórax afetado e, em casos de fraturas costais, crepitação óssea e equimoses.
A conduta inicial segue o protocolo ATLS: avaliação primária (ABCDE), oferta de oxigênio, acesso venoso calibroso e reposição volêmica com cristaloides. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax ou ultrassonografia (FAST). O tratamento definitivo é a drenagem torácica com dreno de grosso calibre.
A toracotomia é indicada em casos de drenagem inicial de grande volume de sangue (>1500 mL), drenagem persistente (>200 mL/hora por 2-4 horas), instabilidade hemodinâmica apesar da reposição volêmica e drenagem, ou necessidade de reparo de lesões cardíacas ou de grandes vasos.
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