Hemotórax Maciço: Diagnóstico e Manejo no Trauma Torácico

Santa Casa de Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 27 anos é trazido em prancha rígida e colar cervical após ser atingido por ferimento de arma branca em hemitórax direito. Foi resgatado em via pública com os seguintes sinais vitais: PA: 60/40 mmHg, FC: 142 bpm, Saturação de oxigênio: 80% (ar ambiente), FR: 31 irpm, T: 35,1°C. Durante o transporte recebeu 1000 ml de ringer lactato aquecido e 1g de ácido tranexâmico. Chega à sala de emergência descorado, sudoreico, agitado e confuso, com via aérea sem sinais de obstrução, com ausculta abolida em base direita, com percussão duvidosa, e ferimento penetrante em hemitórax direito, em sexto espaço intercostal, na linha axilar anterior. Novos sinais vitais de admissão: PA: 90/60 mmHg, FC: 120 bpm, Saturação de oxigênio: 92% (a 12 l/min de O2), FR: 25 irpm, T: 36,1°C. Glasgow 13. Foi submetido à radiografia de tórax realizada no leito, em sala de emergência (abaixo). O tratamento imediato sequencial, de acordo com a décima edição do Advanced Trauma Life Support (2018)é:

Alternativas

  1. A) Punção de alívio seguida de drenagem de tórax.
  2. B) Descompressão manual (finger descompression seguida de drenagem de tórax.
  3. C) Toracocentese diagnóstica e expansão volêmica seguida de drenagem de tórax.
  4. D) Drenagem de tórax seguida de expansão volêmica.

Pérola Clínica

Trauma torácico + choque + ausculta abolida + percussão duvidosa + Rx com velamento > 1/3 hemitórax → Hemotórax Maciço. Conduta: Drenagem de tórax + expansão volêmica.

Resumo-Chave

Paciente com trauma torácico penetrante, sinais de choque hipovolêmico, ausculta pulmonar abolida e percussão duvidosa no hemitórax afetado, e radiografia de tórax mostrando velamento significativo, sugere hemotórax maciço. A conduta imediata é drenagem de tórax para evacuação do sangue e expansão volêmica agressiva.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes traumatizados, e o hemotórax maciço é uma complicação grave que requer reconhecimento e manejo imediatos. É definido pela presença de mais de 1500 mL de sangue na cavidade pleural ou sangramento contínuo de 200 mL/hora por 2-4 horas, geralmente resultante de lesões em vasos sistêmicos ou pulmonares. A apresentação clínica do hemotórax maciço inclui sinais de choque hipovolêmico, como hipotensão, taquicardia e palidez. No exame físico do tórax, observa-se ausculta pulmonar abolida ou muito diminuída e macicez à percussão no lado afetado. A radiografia de tórax revela opacificação completa ou quase completa do hemitórax. A via aérea deve ser assegurada e a ventilação otimizada. O tratamento imediato, conforme o ATLS, consiste na drenagem torácica com um dreno de grosso calibre (36-40 Fr) para evacuar o sangue e permitir a reexpansão pulmonar, além de monitorar o débito. Concomitantemente, deve-se iniciar a reposição volêmica agressiva com cristaloides aquecidos e, se necessário, transfusão sanguínea. A toracotomia de emergência é indicada em casos de sangramento persistente ou maciço que não cede com a drenagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um hemotórax maciço?

Os sinais incluem choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese), ausculta pulmonar abolida ou diminuída no lado afetado, percussão maciça ou duvidosa, e, em casos graves, desvio da traqueia.

Qual a conduta inicial para um hemotórax maciço, segundo o ATLS?

A conduta inicial é a drenagem torácica com um dreno calibroso (36-40 Fr) no quinto espaço intercostal, linha axilar média, para evacuar o sangue e quantificar o débito, associada à reposição volêmica agressiva com cristaloides e/ou hemoderivados.

Quando a toracotomia é indicada em casos de hemotórax maciço?

A toracotomia de emergência é indicada se houver débito inicial de drenagem > 1500 mL, ou débito > 200 mL/hora por 2-4 horas, ou necessidade de múltiplas transfusões para manter a estabilidade hemodinâmica.

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