Hemotórax Maciço: Quando Indicar Toracotomia de Emergência?

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos de idade, vítima de ferimento por projétil em hemitórax esquerdo, é trazida ao PS. Na admissão, encontrava-se consciente e contactuante, PA 80 x 60 mmHg, FC 126 bpm, FR 28 irpm, Sat O₂ 90% com máscara O₂ 50%. Realizada ressuscitação volêmica com cristaloides e concentrado de hemácias e indicou-se drenagem pleural de emergência por suspeita de hemotórax esquerdo, com saída de 1.600 mL de sangue. Após as medidas iniciais, o exame demonstrou PA 100 x 70 mmHg, FC 110 bpm, FR 22 irpm, Sat O₂ 93% com máscara O2 50%. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Ecocardiograma transtorácico.
  2. B) Toracotomia urgente.
  3. C) Tomografia com contraste IV.
  4. D) FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma).

Pérola Clínica

Hemotórax maciço (>1500mL inicial ou >200mL/h) → Toracotomia de emergência.

Resumo-Chave

A saída de 1.600 mL de sangue pela drenagem pleural é um critério absoluto para toracotomia de emergência em trauma torácico, indicando sangramento ativo e significativo que não será controlado apenas com a drenagem. Mesmo com melhora inicial dos sinais vitais, o volume perdido exige intervenção cirúrgica para controle da hemorragia.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes vítimas de trauma, e o hemotórax maciço representa uma emergência cirúrgica que exige reconhecimento e intervenção rápidos. A compreensão dos critérios para toracotomia é fundamental para a prática em pronto-socorro, especialmente para residentes de cirurgia e emergência. A falha em identificar e tratar um hemotórax maciço pode levar a um choque hipovolêmico refratário e óbito. A fisiopatologia do hemotórax maciço envolve a perda rápida de volume sanguíneo para a cavidade pleural, levando a hipovolemia e comprometimento respiratório devido à compressão pulmonar. O diagnóstico é clínico, com sinais de choque e achados no exame físico e radiográfico, confirmado pela drenagem de grande volume de sangue. A ressuscitação volêmica inicial é crucial, mas não substitui a necessidade de controle cirúrgico da hemorragia. O tratamento definitivo do hemotórax maciço é a toracotomia de emergência, que permite a exploração da cavidade torácica, identificação e ligadura da fonte de sangramento. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, bem como da extensão das lesões associadas. É vital que o médico esteja apto a tomar essa decisão rapidamente para otimizar os resultados do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir um hemotórax como maciço?

Um hemotórax é considerado maciço quando há drenagem inicial de mais de 1.500 mL de sangue pelo dreno torácico, ou um débito contínuo superior a 200 mL/hora por 2 a 4 horas, ou ainda a necessidade de transfusão de grande volume de sangue para manter a estabilidade hemodinâmica.

Por que a toracotomia é a conduta mais adequada em um hemotórax maciço?

A toracotomia de emergência é necessária para identificar e controlar a fonte do sangramento, que geralmente é de grandes vasos ou do parênquima pulmonar. A drenagem torácica apenas remove o sangue, mas não estanca a hemorragia, que pode levar rapidamente ao choque e à morte.

Quais são os principais diferenciais de sangramento no trauma torácico?

Os principais diferenciais incluem lesões de vasos intercostais, artéria mamária interna, vasos hilares pulmonares, lacerações pulmonares profundas e lesões cardíacas ou de grandes vasos mediastinais. A avaliação rápida é crucial para o manejo adequado.

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