ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um paciente de 23 anos, vítima de lesão penetrante por arma de fogo em hemitórax esquerdo, ao nível da linha axilar anterior no 3º espaço intercostal, apresenta pressão arterial de 80 x 30 mmHg, FC: 126 bpm e FR: 28 irpm. É feita drenagem torácica em selo d'água no 5º espaço intercostal esquerdo com saída imediata de 1600 mL de sangue. A próxima conduta a ser adotada é.
Drenagem inicial > 1500mL ou > 200mL/h (por 2-4h) = Hemotórax maciço → Centro Cirúrgico imediato.
O hemotórax maciço é definido pela saída imediata de 1500mL de sangue ou 1/3 da volemia. O tratamento definitivo é a toracotomia em centro cirúrgico, acompanhada de ressuscitação volêmica agressiva.
O manejo do trauma torácico penetrante exige reconhecimento rápido de condições que ameaçam a vida. O hemotórax maciço resulta geralmente de lesões em vasos sistêmicos de alta pressão (artérias intercostais ou mamária interna) ou vasos hilares. A drenagem torácica é diagnóstica e terapêutica inicial, mas o volume drenado dita a necessidade de intervenção cirúrgica. A estabilização hemodinâmica deve ocorrer simultaneamente ao transporte para o bloco cirúrgico.
Segundo o ATLS, a toracotomia está indicada no hemotórax maciço, definido como a drenagem imediata de 1.500 mL ou mais de sangue pelo dreno de tórax. Outro critério é a drenagem contínua de 200 mL/hora por um período de 2 a 4 horas, ou a necessidade persistente de transfusão sanguínea para manter a estabilidade hemodinâmica do paciente.
A toracotomia na sala de emergência (de reanimação) é reservada para pacientes que perdem os sinais vitais na frente da equipe ou chegam em parada cardíaca traumática por lesão penetrante. Pacientes com sinais vitais presentes, mesmo que chocados (como o do caso com PA 80/30), devem ser levados ao centro cirúrgico para controle adequado da hemorragia em ambiente estéril e com suporte anestésico.
No hemotórax maciço, o paciente apresenta choque hipovolêmico classe III ou IV. O protocolo de transfusão maciça (PTM) visa repor não apenas volume, mas componentes sanguíneos (hemácias, plasma e plaquetas) em proporções equilibradas (geralmente 1:1:1) para evitar a tríade da morte: acidose, hipotermia e coagulopatia.
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