Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Homem, 28 anos, vítima de acidente de motocicletaxposte, trazido ao PS com dor torácica esquerda e taquicardia (FC: 130 bpm). Ausência de lesões exsanguinantes. À chegada, foi diagnosticado com hemotórax esquerdo e realizada drenagem pleural (toracostomia) com retorno instantâneo de 1.600 mL de sangue no dreno. FAST negativo nos 4 focos abdominais; ausência de trauma pélvico e fraturas de extremidades. Permanece em choque hipovolêmico apesar de reposição inicial adequada. A conduta mais indicada nesse momento é:
Drenagem inicial > 1500mL ou > 200mL/h (2-4h) ou instabilidade → Toracotomia.
O hemotórax maciço é definido por volume inicial expressivo ou sangramento contínuo, indicando lesão de vasos sistêmicos que requerem intervenção cirúrgica imediata.
O manejo do hemotórax maciço é uma das intervenções críticas no trauma torácico. A prioridade inicial é a descompressão do espaço pleural e a restauração da volemia. A drenagem deve ser realizada com dreno de grosso calibre no 5º espaço intercostal, linha axilar média. A decisão pela toracotomia deve ser rápida; o atraso para realização de tomografia em um paciente chocado com 1.600 mL de débito inicial é um erro grave, pois a TC não altera a indicação cirúrgica e consome tempo precioso na 'hora de ouro'. A toracotomia permite a identificação direta da fonte de sangramento e intervenção definitiva.
De acordo com o ATLS (Advanced Trauma Life Support), a toracotomia de emergência está indicada no hemotórax se: 1) A drenagem imediata após a inserção do dreno de tórax for superior a 1.500 mL de sangue; ou 2) Houver uma drenagem contínua de 200 mL/hora por um período de 2 a 4 horas. No caso clínico apresentado, o paciente drenou 1.600 mL instantaneamente, preenchendo o critério de hemotórax maciço.
A instabilidade hemodinâmica persistente após a drenagem e reposição volêmica inicial sugere que a fonte do sangramento é ativa e de alto fluxo, geralmente proveniente de vasos arteriais sistêmicos (como artérias intercostais ou mamária interna). Nesses casos, a drenagem pleural apenas esvazia a cavidade, mas não interrompe o sangramento, tornando a exploração cirúrgica (toracotomia) mandatória para o controle da homeostase.
O hemotórax simples geralmente responde bem apenas à drenagem tubular fechada, pois o sangramento costuma ser de parênquima pulmonar e autolimitado. Já o hemotórax maciço envolve o acúmulo rápido de mais de 1.500 mL de sangue, frequentemente causando colapso pulmonar total e compressão das veias cavas, assemelhando-se ao mecanismo do pneumotórax hipertensivo, além do choque hipovolêmico direto.
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