FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente vítima de trauma torácico contuso foi submetido à drenagem torácica fechada em selo d'água, apresentando, inicialmente, drenagem de 700 mL de conteúdo hemático, com volume de 200 mL por hora mantido nas últimas 4 horas. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta mais adequada.
Drenagem inicial > 1500mL OU > 200mL/h por 2-4h = Hemotórax Maciço → Toracotomia.
O hemotórax maciço é definido pelo volume de sangue no espaço pleural que compromete a hemodinâmica, exigindo drenagem imediata e, frequentemente, toracotomia.
O hemotórax maciço resulta do acúmulo rápido de sangue no espaço pleural, geralmente por lesão de vasos de grande calibre (aorta, vasos hilares) ou vasos intercostais. Além do choque hipovolêmico, o acúmulo de sangue causa colapso pulmonar e desvio do mediastino, prejudicando o retorno venoso e a oxigenação. No trauma contuso, como o do caso, o sangramento pode ser decorrente de múltiplas fraturas de arcos costais com laceração de vasos intercostais ou lesão parenquimatosa pulmonar extensa. A decisão cirúrgica baseia-se na fisiologia do paciente e no débito do dreno, sendo a toracotomia o procedimento definitivo para hemostasia.
De acordo com o ATLS, o hemotórax maciço é diagnosticado quando há drenagem imediata de 1.500 mL ou mais de sangue após a inserção do dreno de tórax, ou quando ocorre uma drenagem persistente de 200 mL por hora durante 2 a 4 horas consecutivas. No caso clínico apresentado, o paciente drenou 700 mL iniciais + 800 mL nas 4 horas seguintes (200 mL/h), totalizando 1.500 mL, o que preenche os critérios.
A toracotomia de emergência (no centro cirúrgico) está indicada no hemotórax maciço (critérios de volume citados), em feridas penetrantes da parede torácica anterior com atividade elétrica sem pulso, ou quando há instabilidade hemodinâmica persistente apesar da reposição volêmica adequada e drenagem do tórax. O objetivo é o controle direto da fonte de sangramento, que geralmente provém de vasos sistêmicos ou hilares.
O manejo inicial segue o protocolo ABCDE do ATLS. A descompressão do espaço pleural é feita com drenagem torácica fechada (geralmente no 5º espaço intercostal, linha axilar média). Simultaneamente, deve-se iniciar a reposição volêmica com cristaloides e hemoderivados. A autotransfusão do sangue drenado pode ser considerada se houver equipamento disponível, reduzindo a necessidade de sangue alogênico.
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