CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Sobre a hemoterapia em anestesia, qual das alternativas é correta?
Gatilho transfusional restritivo (Hb < 7 g/dL) é preferível em pacientes estáveis sem cardiopatia grave.
A hemoterapia moderna preconiza uma estratégia restritiva, onde a transfusão de hemácias é indicada geralmente com hemoglobina abaixo de 7 g/dL, visando reduzir riscos imunológicos e infecciosos.
A hemoterapia no contexto anestésico evoluiu de uma prática baseada em fórmulas fixas para uma abordagem centrada no paciente e na evidência. A estratégia restritiva demonstrou ser tão segura quanto a liberal em diversos cenários cirúrgicos, com a vantagem de minimizar complicações imunológicas e custos hospitalares. O anestesiologista deve monitorar não apenas a hemoglobina, mas também a saturação venosa central de oxigênio e o débito cardíaco para guiar a necessidade real de transporte de oxigênio. Além das hemácias, o manejo de plaquetas e fatores de coagulação deve ser guiado, preferencialmente, por testes viscoelásticos (como o TEG ou ROTEM) em cirurgias de grande porte, permitindo uma terapia de reposição mais assertiva e reduzindo o desperdício de hemoderivados.
Para a maioria dos pacientes cirúrgicos estáveis e sem evidência de isquemia miocárdica ativa, recomenda-se uma estratégia restritiva com gatilho de hemoglobina (Hb) < 7 g/dL. Em pacientes com doença cardiovascular prévia ou sintomas de anemia, o gatilho pode ser mais liberal, geralmente entre 8 e 9 g/dL, dependendo da avaliação clínica individualizada.
O plasma fresco congelado (PFC) não deve ser usado para expansão volêmica. Sua indicação principal é a correção de coagulopatias com sangramento ativo ou antes de procedimentos invasivos quando o INR é superior a 1,5-2,0. O uso profilático em cirurgias de grande porte sem evidência de deficiência de fatores de coagulação não é recomendado.
Os riscos incluem reações hemolíticas agudas e tardias, lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI), sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), reações febris não hemolíticas, além do risco de transmissão de patógenos e imunomodulação (TRIM), que pode aumentar a incidência de infecções pós-operatórias.
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