FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022
Paciente masculino, 54 anos, etilista e tabagista com história de uso recente de AINES por ciatalgia. Refere dor abdominal de início súbito e insuportável com irradiação para os flancos, náuseas e vômitos hemáticos. Ao exame, o paciente está hemoestável, PA 130x85 mmHg, PAM 88 mmHg, FR 24 ipm, FC 102 bpm, MV+ S RA, FTV + simétrico bilateral, Glasgow 15 sem deficit aparente, abdome distendido depressível doloroso difusamente. Refere melhora da dor na posição Maometana. Foi realizada uma endoscopia digestiva alta como propedêutica hemorragia digestiva em outro serviço, sendo observado sangramento vivo pela papila maior. O diagnóstico mais provável é
Hemosuccus pancreaticus = sangramento digestivo por papila maior + dor abdominal irradiada + fatores risco pancreáticos.
Hemosuccus pancreaticus é uma causa rara de hemorragia digestiva alta, caracterizada por sangramento do ducto pancreático para o trato gastrointestinal, geralmente devido à ruptura de um pseudoaneurisma em pacientes com pancreatite crônica. A EDA pode mostrar sangramento ativo pela papila maior.
O hemosuccus pancreaticus é uma condição rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por sangramento do ducto pancreático para o trato gastrointestinal, resultando em hemorragia digestiva alta. Geralmente, é uma complicação de pseudoaneurismas que se formam adjacentes ao pâncreas, frequentemente em pacientes com pancreatite crônica, trauma pancreático ou tumores. O etilismo e o tabagismo são fatores de risco importantes para pancreatite crônica. Clinicamente, os pacientes apresentam dor abdominal intensa, muitas vezes irradiada para os flancos ou dorso, acompanhada de sinais de hemorragia digestiva alta, como hematêmese ou melena. A dor pode ser aliviada em posições como a Maometana. O diagnóstico é desafiador e requer alta suspeição. A endoscopia digestiva alta pode revelar sangramento ativo pela papila maior, enquanto a angiotomografia ou arteriografia são essenciais para localizar a fonte do sangramento e o pseudoaneurisma. O manejo é uma emergência médica. A estabilização hemodinâmica é prioritária. O tratamento definitivo mais comum é a embolização arterial por via endovascular, que visa ocluir o vaso sangrante. Em casos de falha da embolização, sangramento maciço incontrolável ou instabilidade persistente, a intervenção cirúrgica pode ser necessária para ligadura do vaso ou ressecção do pseudoaneurisma.
Os principais fatores de risco incluem pancreatite crônica (especialmente alcoólica), trauma pancreático e a presença de pseudoaneurismas na região pancreática, que podem erodir para o ducto pancreático.
O diagnóstico é suspeitado pela clínica de HDA e dor abdominal, e confirmado por exames de imagem como angiotomografia ou arteriografia, que podem identificar o pseudoaneurisma e o sangramento ativo, e pela EDA que pode visualizar sangramento pela papila maior.
O tratamento geralmente envolve embolização arterial guiada por angiografia para controlar o sangramento. Em casos refratários ou de instabilidade hemodinâmica, a cirurgia pode ser necessária para ligadura do vaso ou ressecção do pseudoaneurisma.
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