Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Homem de 48 anos procura o pronto-atendimento com história de dor anal intensa, sangramento vivo durante as evacuações e exteriorização de massas anais há cerca de 2 anos, com piora progressiva nos últimos meses. Refere que as massas não mais reduzem espontaneamente, sendo necessário empurrá-las manualmente após evacuar. Ao exame físico, observam-se três mamilos hemorroidários volumosos, congestos e parcialmente trombosados, localizados nos pontos clássicos (3, 7 e 11 horas), além de componente externo importante e prolapso mucoso irreversível. Após estabilização clínica e exclusão de outras causas de sangramento, indica-se tratamento cirúrgico definitivo. A equipe opta pela técnica de MilliganMorgan, que consiste em:
Milligan-Morgan = Hemorroidectomia aberta (cicatrização por 2ª intenção); técnica padrão-ouro.
A técnica de Milligan-Morgan é a cirurgia de escolha para hemorroidas volumosas e prolapsadas, caracterizando-se pela ferida aberta para evitar estenose anal.
A doença hemorroidária é uma das patologias anorretais mais comuns, resultando do ingurgitamento e deslocamento dos coxins vasculares anais. A classificação de Goligher orienta o tratamento, reservando a cirurgia para os estágios mais avançados. A técnica de Milligan-Morgan, descrita em 1937, permanece amplamente utilizada devido à sua eficácia e baixas taxas de recorrência. Ela consiste na dissecção e ligadura do pedículo vascular seguida da remoção do tecido hemorroidário, deixando pontes de pele entre as feridas para prevenir a estenose anal. O conhecimento da anatomia dos mamilos (3, 7 e 11 horas) é crucial para o sucesso do procedimento.
A principal diferença reside no fechamento da ferida operatória. Na técnica de Milligan-Morgan, as feridas resultantes da excisão dos mamilos hemorroidários são deixadas abertas para cicatrizar por segunda intenção, o que teoricamente reduz o risco de infecção e estenose. Na técnica de Ferguson, as feridas são suturadas (técnica fechada), o que pode reduzir o tempo de cicatrização e o desconforto pós-operatório imediato.
A cirurgia é indicada para hemorroidas de graus III e IV (que não reduzem ou exigem redução manual), hemorroidas externas sintomáticas, falha no tratamento conservador ou ambulatorial (como ligadura elástica) e em casos de complicações como trombose recorrente ou sangramento persistente que causa anemia.
As complicações mais frequentes incluem dor intensa no pós-operatório, retenção urinária (reflexa), sangramento e, a longo prazo, estenose anal ou incontinência fecal (rara). O manejo adequado da dor com analgésicos, banhos de assento e dieta rica em fibras é essencial para a recuperação do paciente.
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