Hemorroidectomia de Milligan-Morgan: Técnica e Indicações

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 48 anos procura o pronto-atendimento com história de dor anal intensa, sangramento vivo durante as evacuações e exteriorização de massas anais há cerca de 2 anos, com piora progressiva nos últimos meses. Refere que as massas não mais reduzem espontaneamente, sendo necessário empurrá-las manualmente após evacuar. Ao exame físico, observam-se três mamilos hemorroidários volumosos, congestos e parcialmente trombosados, localizados nos pontos clássicos (3, 7 e 11 horas), além de componente externo importante e prolapso mucoso irreversível. Após estabilização clínica e exclusão de outras causas de sangramento, indica-se tratamento cirúrgico definitivo. A equipe opta pela técnica de MilliganMorgan, que consiste em:

Alternativas

  1. A) Ligadura dos pedículos vasculares dos mamilos hemorroidários com 2 a 3 elásticos, associada a laserterapia.
  2. B) Fechamento da ferida cirúrgica em sutura contínua com fio absorvível, a fim de diminuir a dor pós-operatória e melhorar o aspecto estético.
  3. C) Empregar um Doppler que, durante a cirurgia, é inserido no canal anal do paciente para identificar o fluxo vascular; com uma agulha que passa pelo seu interior (sem oferecer risco de lesão de tecidos), o cirurgião sutura a veia em um ponto específico, cessando a causa da doença.
  4. D) Excisão cirúrgica dos mamilos hemorroidários e a sua ligadura vascular; a ferida operatória fica aberta (cicatrização por segunda intenção).

Pérola Clínica

Milligan-Morgan = Hemorroidectomia aberta (cicatrização por 2ª intenção); técnica padrão-ouro.

Resumo-Chave

A técnica de Milligan-Morgan é a cirurgia de escolha para hemorroidas volumosas e prolapsadas, caracterizando-se pela ferida aberta para evitar estenose anal.

Contexto Educacional

A doença hemorroidária é uma das patologias anorretais mais comuns, resultando do ingurgitamento e deslocamento dos coxins vasculares anais. A classificação de Goligher orienta o tratamento, reservando a cirurgia para os estágios mais avançados. A técnica de Milligan-Morgan, descrita em 1937, permanece amplamente utilizada devido à sua eficácia e baixas taxas de recorrência. Ela consiste na dissecção e ligadura do pedículo vascular seguida da remoção do tecido hemorroidário, deixando pontes de pele entre as feridas para prevenir a estenose anal. O conhecimento da anatomia dos mamilos (3, 7 e 11 horas) é crucial para o sucesso do procedimento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Milligan-Morgan e Ferguson?

A principal diferença reside no fechamento da ferida operatória. Na técnica de Milligan-Morgan, as feridas resultantes da excisão dos mamilos hemorroidários são deixadas abertas para cicatrizar por segunda intenção, o que teoricamente reduz o risco de infecção e estenose. Na técnica de Ferguson, as feridas são suturadas (técnica fechada), o que pode reduzir o tempo de cicatrização e o desconforto pós-operatório imediato.

Quais as indicações para o tratamento cirúrgico das hemorroidas?

A cirurgia é indicada para hemorroidas de graus III e IV (que não reduzem ou exigem redução manual), hemorroidas externas sintomáticas, falha no tratamento conservador ou ambulatorial (como ligadura elástica) e em casos de complicações como trombose recorrente ou sangramento persistente que causa anemia.

Quais são as complicações comuns da hemorroidectomia?

As complicações mais frequentes incluem dor intensa no pós-operatório, retenção urinária (reflexa), sangramento e, a longo prazo, estenose anal ou incontinência fecal (rara). O manejo adequado da dor com analgésicos, banhos de assento e dieta rica em fibras é essencial para a recuperação do paciente.

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