Hemorroidectomia: A Técnica de Milligan-Morgan Explicada

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Com relação ao tratamento cirúrgico das hemorroidas, após a ressecção delas, pode-se empregar a técnica de Milligan-Morgan, que consiste em

Alternativas

  1. A) ligadura dos ramos arteriais com ultrassom Doppler e, em seguida, fixação do excesso de mucosa, responsável pela exteriorização.
  2. B) fechamento da ferida cirúrgica em sutura contínua com fio absorvível, a fim de diminuir a dor pós-operatória e melhorar o aspecto estético.
  3. C) emprego de um Doppler que, durante a cirurgia, é inserido no canal anal do paciente para identificar o fluxo vascular; com uma agulha que passa pelo interior da veia hemorroidária (sem oferecer risco de lesão de tecidos), o cirurgião sutura a veia em um ponto específico, cessando a causa da doença.
  4. D) uso de um grampeador circular, capaz de remover a submucosa e o excesso de mucosa próximo à linha pectínea (linha de sensibilidade do ânus).
  5. E) excisão cirúrgica dos mamilos hemorroidários com ligadura dos pedículos vasculares correspondentes, deixando a ferida operatória aberta.

Pérola Clínica

Hemorroidectomia de Milligan-Morgan = técnica aberta, com excisão dos mamilos e feridas deixadas abertas para cicatrização por segunda intenção.

Resumo-Chave

A técnica de Milligan-Morgan é a hemorroidectomia aberta, padrão-ouro para doença hemorroidária grau III e IV. Consiste na excisão dos coxins hemorroidários com ligadura alta do pedículo vascular, deixando as feridas operatórias abertas para evitar infecção e estenose.

Contexto Educacional

A doença hemorroidária é uma condição proctológica comum, e seu tratamento cirúrgico é reservado para casos mais avançados (graus III e IV) ou refratários ao manejo conservador. A hemorroidectomia convencional é considerada o tratamento mais eficaz e com as menores taxas de recorrência. A técnica de Milligan-Morgan, descrita em 1937, é uma das mais realizadas no mundo. Esta técnica, conhecida como hemorroidectomia aberta, baseia-se na excisão dos três principais mamilos hemorroidários (posições lateral esquerda, anterior direita e posterior direita). O procedimento envolve a dissecção do coxim hemorroidário do esfíncter interno subjacente e a ligadura alta do pedículo vascular que o supre. A característica fundamental da técnica de Milligan-Morgan é que as incisões radiais no anoderma e na mucosa retal são deixadas abertas, separadas por pontes de pele e mucosa saudáveis. Essa abordagem permite a drenagem adequada e minimiza o risco de infecção e estenose anal. Apesar de eficaz, está associada a dor pós-operatória significativa, que é um ponto importante no manejo do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para a hemorroidectomia de Milligan-Morgan?

É indicada principalmente para hemorroidas internas grau III (prolapso redutível manualmente) e IV (prolapso irredutível), hemorroidas mistas sintomáticas, ou quando há falha do tratamento clínico e ambulatorial. Também é uma opção em casos de trombose hemorroidária extensa.

Por que a ferida é deixada aberta na técnica de Milligan-Morgan?

A ferida é deixada aberta para cicatrizar por segunda intenção. Isso reduz o risco de infecção e formação de abscesso no leito da ferida, além de diminuir a chance de estenose anal, embora possa estar associada a mais dor no pós-operatório imediato em comparação com técnicas fechadas.

Como a técnica de Milligan-Morgan se diferencia da técnica de Ferguson?

A principal diferença está no fechamento da ferida. Na Milligan-Morgan (aberta), a ferida é deixada para cicatrizar naturalmente. Na técnica de Ferguson (fechada), a ferida cirúrgica é fechada com sutura contínua absorvível, o que pode levar a uma cicatrização mais rápida e menos dor, mas com um risco teórico maior de infecção.

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