IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 40 anos de idade, previamente hígida, procurou atendimento ambulatorial por sangramento ao evacuar, há dois meses. Após avaliação adequada, a paciente foi submetida ao procedimento cirúrgico mostrado abaixo: Considerando o caso clínico e as imagens apresentadas, o procedimento realizado foi:
Ferguson = Técnica fechada (sutura da mucosa); Milligan-Morgan = Técnica aberta.
A técnica de Ferguson envolve a excisão dos mamilos hemorroidários seguida pelo fechamento da mucosa com sutura contínua, visando cicatrização por primeira intenção.
A doença hemorroidária é uma patologia prevalente que resulta do ingurgitamento e deslocamento dos coxins vasculares anais. O tratamento cirúrgico é reservado para casos avançados ou refratários. A técnica de Ferguson, descrita em 1959, é amplamente utilizada nos Estados Unidos e consiste no fechamento primário das feridas. Estudos comparativos sugerem que a técnica fechada pode resultar em cicatrização mais rápida e menos dor pós-operatória imediata em comparação com a técnica aberta, embora o risco de infecção de ferida (deiscência) seja ligeiramente maior. O sucesso de qualquer técnica de hemorroidectomia depende da preservação das pontes de pele e mucosa entre os locais de ressecção para evitar a estenose anal. Além das técnicas excisionais, existem alternativas como a desarterialização hemorroidária transanal (THD) e a anorretopexia mecânica (PPH), que visam reduzir o fluxo sanguíneo e reposicionar os coxins sem a necessidade de excisão tecidual extensa.
A principal diferença reside no manejo da ferida cirúrgica após a ressecção dos mamilos hemorroidários. Na técnica de Milligan-Morgan (aberta), as feridas são deixadas abertas para cicatrizar por segunda intenção, o que facilita a drenagem mas pode prolongar a cicatrização. Na técnica de Ferguson (fechada), a mucosa e a pele são suturadas com fio absorvível, fechando completamente o leito cirúrgico, visando cicatrização por primeira intenção.
A hemorroidectomia está indicada principalmente para hemorroidas internas de graus III e IV (que não reduzem espontaneamente ou são irredutíveis), hemorroidas externas sintomáticas, ou quando tratamentos conservadores e ambulatoriais (como ligadura elástica) falharam. Também é indicada em casos de hemorroidas complicadas com trombose recorrente ou sangramento persistente que causa anemia.
As complicações mais comuns incluem dor intensa no pós-operatório, retenção urinária (reflexa), sangramento e infecção local. A longo prazo, embora raras, podem ocorrer estenose anal (especialmente se não forem deixadas pontes cutâneo-mucosas adequadas entre as ressecções) e incontinência fecal por lesão do esfíncter anal interno durante a dissecção.
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