Hemorragia Varicosa: Manejo Inicial e Fármacos Essenciais

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Homem, 63 anos, com diagnóstico prévio de cirrose hepática secundária ao vírus da hepatite B, com endoscopia prévia que evidenciava varizes esofageanas, deu entrada no pronto atendimento com quadro de hematêmese. Ao exame encontra-se em regular estado geral, ictérico +/4+. hipocorado +/4+, afebril, taquicardico (FC 110 bpm) e com PA de 100 x 60 mmHg. Ausculta cardíaca e respiratórias normais. Abdome ascítico. Além das medidas de estabilização clínica, quais fármacos são melhor recomendados enquanto aguarda a realização de endoscopia digestiva alta?

Alternativas

  1. A) Octreotide e propranolol
  2. B) Vasopressina e albumina
  3. C) Noradrenalina e lactulose
  4. D) Terlipressina e ceftriaxone

Pérola Clínica

Hemorragia varicosa → Terlipressina + Ceftriaxone (profilaxia infecção) antes da EDA.

Resumo-Chave

No manejo da hemorragia varicosa aguda, a terlipressina é um vasoconstritor esplâncnico que reduz o fluxo sanguíneo portal, diminuindo a pressão nas varizes. O ceftriaxone é indicado para profilaxia de infecções bacterianas, comuns em cirróticos com sangramento, e que aumentam a mortalidade. Ambos devem ser iniciados antes da endoscopia.

Contexto Educacional

A hemorragia por varizes esofágicas é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática. Representa uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e intervenção rápidos. A epidemiologia mostra que cerca de metade dos pacientes com cirrose desenvolve varizes, e um terço deles sangrará em algum momento. O manejo inicial visa estabilização hemodinâmica e controle do sangramento. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão no sistema porta, levando à formação e ruptura das varizes. O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta, mas o tratamento farmacológico deve ser iniciado antes do procedimento, assim que a suspeita clínica for estabelecida. O tratamento agudo inclui vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina, octreotide) para reduzir o fluxo portal e profilaxia antibiótica (ceftriaxone) para prevenir infecções. Após o controle do sangramento, a profilaxia secundária com betabloqueadores não seletivos e ligadura elástica endoscópica são cruciais para evitar ressangramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hemorragia varicosa em cirróticos?

Os sinais incluem hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes escuras e pegajosas), hipotensão, taquicardia e outros sinais de choque hipovolêmico em pacientes com cirrose e varizes esofágicas conhecidas.

Por que usar terlipressina na hemorragia varicosa?

A terlipressina é um análogo da vasopressina que causa vasoconstrição esplâncnica seletiva, reduzindo o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes, o que ajuda a controlar o sangramento de forma eficaz.

Qual a importância da profilaxia antibiótica na hemorragia varicosa?

Pacientes cirróticos com hemorragia digestiva alta têm alto risco de infecções bacterianas (peritonite bacteriana espontânea, pneumonia, sepse), que aumentam significativamente a mortalidade. Antibióticos como ceftriaxone reduzem esse risco.

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