HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022
Um paciente com história de hepatopatia alcoólica evoluiu com quadro de hematêmese volumosa, broncoaspiração. Enquanto realizava admissão em unidade de terapia intensiva, apresentou queda pressórica, com PA = 82 mmHg x 34 mmHg; dessaturação, SatO = 78% com máscara não reinalante = 6l/min, FC = 112 bpm e Glasgow = 8. O colega intensivista optou por proteção de via aérea, acesso venoso calibroso, início de antibioticoterapia, terlipressina, solicitação de hemoderivados, e exames pertinentes ao caso. Quando solicitado endoscopia de urgência, detectaram-se grande quantidade de sangue no esôfago e varizes difusas, não conseguindo abordagem em primeiro tempo por dificuldade técnica.Nesse caso clínico, as próximas ações no tratamento são
Hemorragia varicosa grave + instabilidade hemodinâmica + endoscopia falha → Balão de Sengstaken-Blakemore.
Em pacientes com hemorragia varicosa esofágica grave e instabilidade hemodinâmica, onde a endoscopia de urgência não é viável ou falha inicialmente, o balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida de controle de danos temporária e eficaz para estancar o sangramento e estabilizar o paciente, permitindo tempo para outras intervenções.
A hemorragia varicosa esofágica é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à hepatopatia alcoólica, e representa uma emergência médica com alta morbimortalidade. Caracteriza-se por hematêmese volumosa e pode levar rapidamente a choque hipovolêmico, broncoaspiração e falência de múltiplos órgãos. O manejo inicial visa a estabilização hemodinâmica, proteção de via aérea e controle do sangramento. O paciente descrito apresenta um quadro de choque hipovolêmico grave (PA 82x34 mmHg, FC 112 bpm, Glasgow 8, dessaturação) devido à hematêmese volumosa, com broncoaspiração. As medidas iniciais de proteção de via aérea (intubação), acesso venoso calibroso, antibioticoterapia (para prevenir PBE), terlipressina e hemoderivados são corretas. No entanto, a endoscopia de urgência, que é o tratamento de primeira linha para controle do sangramento, falhou devido à dificuldade técnica e grande quantidade de sangue. Nesse cenário de sangramento maciço e falha da endoscopia inicial, a próxima ação crucial é o controle mecânico do sangramento. O balão de Sengstaken-Blakemore (ou Minnesota) é um dispositivo que, ao ser insuflado no esôfago e estômago, comprime as varizes sangrantes, estancando temporariamente a hemorragia. É uma medida de "controle de danos" que permite estabilizar o paciente para uma segunda tentativa endoscópica ou outras terapias definitivas, como TIPS. É fundamental que o paciente esteja intubado para proteção de via aérea antes da inserção do balão.
O balão de Sengstaken-Blakemore é indicado como medida de resgate em hemorragia varicosa esofágica refratária ao tratamento endoscópico ou farmacológico, ou quando a endoscopia não é possível devido à instabilidade do paciente ou grande volume de sangramento.
Os riscos incluem necrose esofágica ou gástrica, aspiração pulmonar, ruptura esofágica e obstrução de via aérea. Por isso, é uma medida temporária e deve ser utilizada com intubação orotraqueal para proteção de via aérea.
A terlipressina é um análogo da vasopressina que causa vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o fluxo sanguíneo para as varizes e, consequentemente, o sangramento. É uma medida farmacológica de primeira linha, iniciada precocemente.
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