Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015
R.M.S., 37 anos, feminino, portadora de cirrose hepática por álcool, sem acompanhamento regular, é trazida à emergência médica por hematêmese. Está hipocorada +++/4+ hipotensa; taquicárdica; afebril. US de abdome (realizada há 3 dias): pequena quantidade de líquido livre na cavidade abdominal, fígado reduzido, aumento do calibre da veia porta e baço bastante aumentado de volume. São condutas imediatas a serem tomadas para esta paciente, EXCETO:
Hematêmese em cirrótico → Estabilização hemodinâmica, vasoativos (terlipressina/octreotida), ATB profilaxia. Propranolol é para profilaxia secundária, não agudo.
Em pacientes cirróticos com hematêmese por sangramento de varizes esofágicas, as condutas imediatas visam estabilizar o paciente, controlar o sangramento e prevenir complicações. Isso inclui estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas para reduzir a pressão portal e antibioticoprofilaxia. O propranolol é usado para profilaxia de ressangramento, não na fase aguda.
A hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é uma complicação grave e potencialmente fatal da hipertensão portal em pacientes com cirrose hepática. A hematêmese é o sintoma mais comum, e a mortalidade é elevada, tornando o manejo rápido e eficaz uma prioridade na emergência. Residentes devem estar aptos a identificar e tratar essa condição prontamente. As condutas imediatas para um paciente cirrótico com hematêmese incluem a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica e, se necessário, transfusão de hemoderivados. Simultaneamente, deve-se iniciar terapia farmacológica com drogas vasoativas como terlipressina ou octreotida para reduzir a pressão portal e controlar o sangramento. A antibioticoprofilaxia é crucial para prevenir infecções bacterianas, que são comuns e pioram o prognóstico. O propranolol, um betabloqueador não seletivo, é utilizado na profilaxia primária (para prevenir o primeiro sangramento) e secundária (para prevenir ressangramentos) de varizes esofágicas, pois reduz o débito cardíaco e a vasoconstrição esplâncnica. No entanto, seu uso é contraindicado na fase aguda do sangramento devido ao risco de piorar a hipotensão e o choque, não sendo uma conduta imediata para controle da hemorragia ativa.
A prioridade é a estabilização hemodinâmica, com reposição volêmica agressiva (cristaloides, hemoderivados se necessário) para corrigir hipotensão e taquicardia, garantindo perfusão orgânica adequada.
Terlipressina e octreotida são análogos da somatostatina que causam vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o fluxo sanguíneo para o sistema porta e, consequentemente, a pressão nas varizes esofágicas, auxiliando no controle do sangramento.
Pacientes cirróticos com hemorragia varicosa têm alto risco de infecções bacterianas (peritonite bacteriana espontânea, pneumonia, ITU), que aumentam a morbimortalidade e o risco de ressangramento. A antibioticoprofilaxia reduz essas complicações.
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