Sangramento Uterino Anormal em Adolescentes: Anovulação Puberal

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 13 anos, menarca há 6 meses, admitida no pronto atendimento com história de sangramento menstrual excessivo há 5 dias. Nega atividade sexual, mas a entrevista foi realizada na presença da mãe. Solicitado eritrograma na urgência que mostrou hemoglobina de 8,5% e hematócrito de 22%. Teste de gravidez negativo. PA: 80X40 mmHg e FR: 20 bpm. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Anovulação.
  2. B) Abuso sexual.
  3. C) Deficiência de fator VIII.
  4. D) Uso inadequado de pílula.

Pérola Clínica

Adolescente com menarca recente + sangramento excessivo + anemia → Anovulação puberal (Hemorragia Uterina Disfuncional).

Resumo-Chave

Em adolescentes com menarca recente, o eixo hipotálamo-hipófise-ovário ainda é imaturo, resultando em ciclos anovulatórios. A ausência de ovulação leva à proliferação endometrial descontrolada sem a fase secretora de progesterona, culminando em sangramento irregular e excessivo, conhecido como hemorragia uterina disfuncional.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) em adolescentes é uma queixa comum no pronto atendimento e no consultório ginecológico. A etiologia mais frequente, especialmente nos primeiros anos pós-menarca, é a anovulação puberal, também conhecida como hemorragia uterina disfuncional. Este fenômeno ocorre devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que leva a ciclos menstruais irregulares e anovulatórios. Na ausência de ovulação, não há produção de progesterona pelo corpo lúteo. O endométrio, sob estímulo estrogênico contínuo e sem a oposição da progesterona, prolifera excessivamente e de forma instável, resultando em sangramento prolongado e intenso. A paciente do caso, com menarca há apenas 6 meses e sangramento excessivo levando a anemia e hipotensão, se encaixa perfeitamente nesse quadro. É crucial diferenciar a anovulação de outras causas de SUA em adolescentes, como coagulopatias (ex: Doença de von Willebrand, deficiência de fator VIII), distúrbios da tireoide, infecções, trauma ou abuso sexual. O teste de gravidez negativo e a ausência de história sexual, embora a entrevista na presença da mãe possa limitar a veracidade, direcionam para causas não relacionadas à gravidez. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e, posteriormente, no controle do sangramento com terapia hormonal.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento uterino anormal em adolescentes?

A causa mais comum é a anovulação puberal devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Outras causas incluem coagulopatias (como Doença de von Willebrand), distúrbios da tireoide, infecções, pólipos e, menos frequentemente, tumores.

Como a anovulação leva ao sangramento menstrual excessivo?

Na anovulação, não há formação de corpo lúteo e, consequentemente, não há produção de progesterona. O endométrio prolifera sob estímulo estrogênico contínuo sem a fase secretora, tornando-se instável e descamando de forma irregular e prolongada, resultando em sangramento excessivo.

Qual a conduta inicial para uma adolescente com sangramento uterino anormal e anemia?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos, transfusão se necessário), exclusão de gravidez e coagulopatias. O tratamento para anovulação geralmente inclui estrogênios para estabilizar o endométrio e progestágenos para induzir a descamação organizada, ou contraceptivos orais combinados.

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