Hemorragia Uterina Anormal: Investigação Inicial Completa

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 25 anos, nuligesta, uso de condom como contraceptivo, nega comorbidades ou uso de medicações, procura atendimento com sangramento transvaginal intenso há mais de 15 dias. Apresenta nos antecedentes ginecológicos ciclos regulares com sangramento de fluxo progressivamente aumentado por 10 dias. Exame físico ginecológico sem alterações. Realizou B-HCG sanguíneo, cujo resultado foi negativo. Qual é a investigação inicial mais adequada para iniciar a propedêutica complementar da hemorragia uterina anormal?

Alternativas

  1. A) Solicitar hemograma completo, coagulograma e ultrassom transvaginal.
  2. B) Solicitar perfil hormonal completo para avaliar anovulação crônica.
  3. C) Orientar sobre a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
  4. D) Solicitar exames para diagnosticar as principais trombofilias.

Pérola Clínica

HUA em nuligesta com B-HCG negativo → investigar causas estruturais e sistêmicas com USG, hemograma e coagulograma.

Resumo-Chave

A investigação inicial da Hemorragia Uterina Anormal (HUA) deve ser abrangente, excluindo gravidez e avaliando causas estruturais e sistêmicas. O ultrassom transvaginal é essencial para identificar alterações anatômicas, enquanto hemograma e coagulograma avaliam o impacto do sangramento e possíveis distúrbios de coagulação.

Contexto Educacional

A Hemorragia Uterina Anormal (HUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta mulheres em todas as idades reprodutivas, incluindo nuligestas. Caracteriza-se por sangramento uterino fora dos padrões normais de frequência, regularidade, duração ou volume. A abordagem diagnóstica deve ser sistemática para identificar a causa subjacente e instituir o tratamento adequado, visando preservar a fertilidade e a qualidade de vida da paciente. A classificação PALM-COEIN (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e Hiperplasia; Coagulopatia, Disfunção Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica, Não classificada) é uma ferramenta útil para organizar as possíveis etiologias. Após a exclusão de gravidez, que é sempre a primeira etapa, a investigação inicial deve focar em causas estruturais e sistêmicas. O hemograma completo é essencial para avaliar o grau de anemia e a necessidade de reposição. O coagulograma (TAP, PTTa, fibrinogênio, plaquetas) rastreia distúrbios de coagulação, especialmente em pacientes com histórico sugestivo. O ultrassom transvaginal é o exame de imagem de primeira linha, permitindo a visualização do útero e anexos para identificar pólipos, miomas, adenomiose ou outras alterações estruturais. A partir desses resultados, a propedêutica pode ser aprofundada com exames hormonais ou biópsia endometrial, se indicado.

Perguntas Frequentes

Quais exames compõem a investigação inicial da hemorragia uterina anormal (HUA)?

A investigação inicial da HUA, após exclusão de gravidez com beta hCG, deve incluir hemograma completo para avaliar anemia, coagulograma para rastrear distúrbios de coagulação e ultrassom transvaginal para identificar causas estruturais uterinas e ovarianas.

Por que o ultrassom transvaginal é crucial na investigação da HUA?

O ultrassom transvaginal é um exame de imagem não invasivo e de baixo custo que permite visualizar o útero, endométrio e ovários, identificando causas estruturais como pólipos, miomas, adenomiose ou outras anomalias que podem ser responsáveis pelo sangramento.

Quando suspeitar de distúrbios de coagulação como causa de HUA?

Deve-se suspeitar de distúrbios de coagulação em pacientes com sangramento intenso desde a menarca, história familiar de coagulopatias, sangramento em outros sítios (epistaxe, gengivorragia, equimoses fáceis) ou que não respondem ao tratamento hormonal. O coagulograma é fundamental nesses casos.

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