Hemorragia Uterina Aguda em Adolescentes: Manejo e Causas

HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Uma adolescente é admitida no serviço de emergência por hemorragia genital. Refere menarca há 4 meses, ciclos hipermenorrágicos, e atualmente está sangrando há 20 dias. Ao exame, palidez de pele e mucosas, pulso filiforme, PA = 80/50 mmHg. Assinale a alternativa que apresenta a orientação correta.

Alternativas

  1. A) Pelo fato de a menarca ter ocorrido há 4 meses, trata-se de um sangramento disfuncional. Nesse caso, a paciente deve ser acompanhada ambulatorialmente e orientada a manter um registro menstrual.
  2. B) Internar, estabilizar hemodinamicamente, iniciar hormonoterapia e pesquisar coagulopatia que pode ser a causa da Menorragia.
  3. C) Internar a adolescente para histeroscopia ou curetagem uterina, para afastar lesões orgânicas, e manter contraceptivos hormonais combinados por 1 ano.
  4. D) Afastar gravidez e abortamento e acompanhar ambulatorialmente com calendário menstrual, para confirmar o sangramento disfuncional.
  5. E) Por se tratar de um sangramento disfuncional, iniciar com contraceptivos hormonais combinados orais, em doses baixas, e manter o esquema cíclico por 3 meses.

Pérola Clínica

Adolescente com sangramento genital e instabilidade hemodinâmica → internar, estabilizar, hormonoterapia e investigar coagulopatia.

Resumo-Chave

Em adolescentes com sangramento uterino anormal e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é a estabilização imediata. Embora o sangramento disfuncional seja comum pós-menarca, a gravidade do quadro exige investigação de coagulopatias e tratamento hormonal agressivo para controle do sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia uterina anormal (HUA) é uma queixa comum na adolescência, frequentemente manifestando-se como menorragia ou sangramento prolongado. A principal causa nessa faixa etária é o sangramento uterino disfuncional (SUD), decorrente da imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que leva a ciclos anovulatórios e produção irregular de estrogênio, resultando em um endométrio instável. No entanto, a presença de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez) em uma adolescente com sangramento genital é uma emergência médica que exige internação imediata e estabilização. Além do SUD, é fundamental considerar e investigar outras causas, como coagulopatias (ex: doença de von Willebrand, deficiências de fatores de coagulação), distúrbios da tireoide, disfunção hepática ou renal, e, menos comumente, lesões orgânicas. O manejo inicial envolve a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e, se necessário, transfusão sanguínea. Simultaneamente, deve-se iniciar a hormonoterapia para controlar o sangramento agudo, geralmente com estrogênios em altas doses ou contraceptivos orais combinados. A investigação de coagulopatias é crucial e deve ser realizada em paralelo, pois o diagnóstico correto influencia o manejo a longo prazo e a prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em uma adolescente com hemorragia genital?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia, pulso filiforme, palidez cutaneomucosa, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.

Por que é importante investigar coagulopatias em adolescentes com menorragia grave?

Coagulopatias, como a Doença de von Willebrand, são causas subjacentes significativas de menorragia grave em adolescentes e podem ser diagnosticadas em até 20% dos casos. A identificação é crucial para um manejo adequado e prevenção de futuros episódios.

Qual a abordagem inicial para o tratamento hormonal da hemorragia uterina aguda em adolescentes?

A abordagem inicial geralmente envolve altas doses de estrogênio conjugado intravenoso ou contraceptivos orais combinados em doses elevadas, para estabilizar o endométrio e cessar o sangramento. Após o controle agudo, um esquema de manutenção é necessário.

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