Hemorragia 3º Trimestre: Diagnóstico e Manejo em Gestantes de Risco

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Gestante, G3P2(C2)A0, idade gestacional compatível com 36 semanas e 6 dias, peso materno 112,0 Kg, em uso de insulina NPH 90 unidades/dia, desde a 24ª semana. Realizou pré-natal em sua cidade de origem. Foi regulada para maternidade de referência devido a sangramento intenso há cerca de 2 horas. Ao exame admissional: sangramento abundante e de aspecto avermelhado, ausência de contratilidade uterina, tônus uterino normal; feto vivo, apresentação córmica, batimentos cardíacos fetais=140 bpm; PA:150/90 mmHg; toque vaginal não realizado. Decidiu-se internar para cesariana de emergência. Tendo em vista o caso, deve-se atentar para:

Alternativas

  1. A) A diabetes gestacional é o principal fator de risco isolado para hemorragias do terceiro trimestre.
  2. B) A ultrassonografia transvaginal é metodologia indispensável para conduta terapêutica.
  3. C) O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP é a principal hipótese diagnóstica, pois a avaliação do tônus uterino não é relevante para o caso.
  4. D) Placenta prévia e acretismo placentário, obrigatoriamente devem ser hipóteses diagnósticas aventadas. O preparo da equipe cirúrgica e da estabilização hemodinâmica são essenciais.
  5. E) A melhor opção deveria ter sido o tratamento clínico, pois trata-se de placenta prévia e prematuridade.

Pérola Clínica

Sangramento 3º trimestre em gestante com cesariana prévia → suspeitar placenta prévia/acretismo.

Resumo-Chave

Em gestante com sangramento intenso no terceiro trimestre e histórico de cesariana prévia, a placenta prévia e o acretismo placentário são hipóteses diagnósticas mandatórias. A apresentação córmica (transversa) também sugere placenta prévia. É vital o preparo para uma cirurgia complexa e estabilização hemodinâmica.

Contexto Educacional

A hemorragia do terceiro trimestre é uma emergência obstétrica grave que exige avaliação e manejo rápidos. As principais causas são placenta prévia e descolamento prematuro de placenta (DPP). A placenta prévia ocorre quando a placenta se implanta total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino, enquanto o acretismo placentário é a aderência anormal da placenta à parede uterina, podendo invadir o miométrio. O caso clínico apresenta uma gestante com múltiplos fatores de risco para complicações graves: histórico de duas cesarianas (aumenta risco de placenta prévia e, principalmente, acretismo), obesidade e diabetes gestacional. O sangramento intenso, avermelhado e indolor, associado à ausência de contratilidade uterina e tônus normal, sugere fortemente placenta prévia. A apresentação córmica fetal reforça essa hipótese, pois a placenta baixa pode impedir a apresentação cefálica. Diante de um quadro como este, é imperativo considerar placenta prévia e acretismo placentário. A conduta deve ser a internação imediata para estabilização hemodinâmica da paciente e preparo para uma cesariana de emergência, que pode ser complexa devido ao risco de acretismo. A ultrassonografia transvaginal é importante para o diagnóstico, mas a decisão de intervir cirurgicamente é clínica, baseada na gravidade do sangramento e nos fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para placenta prévia e acretismo placentário?

Os principais fatores de risco incluem cesariana prévia, cirurgias uterinas anteriores, multiparidade, idade materna avançada, tabagismo e gestações múltiplas. A cesariana prévia é o mais relevante para o acretismo.

Qual a diferença clínica entre placenta prévia e descolamento prematuro de placenta (DPP)?

Placenta prévia tipicamente causa sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, com útero relaxado. O DPP geralmente apresenta sangramento escuro, dor abdominal intensa, hipertonia uterina e sofrimento fetal.

Por que a apresentação córmica (transversa) é relevante neste caso?

A apresentação córmica, ou fetal transversa, pode ser um indicativo de placenta prévia, pois a placenta implantada na parte inferior do útero pode impedir o encaixe da cabeça fetal na pelve.

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