CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
A indicação da drenagem de um descolamento hemorrágico de coroide após facectomia é realizado, geralmente:
Drenagem de hemorragia supracoroidal → aguardar ~14 dias para liquefação do coágulo.
A drenagem cirúrgica do descolamento hemorrágico de coroide não deve ser imediata; a liquefação do coágulo (10-14 dias) facilita a evacuação e minimiza traumas adicionais.
A hemorragia supracoroidal é uma das complicações mais temidas da cirurgia de catarata (facectomia), ocorrendo pelo rompimento de artérias ciliares posteriores. O manejo conservador inicial com corticoides e controle da PIO é a regra. A decisão cirúrgica baseia-se na gravidade do quadro e no timing fisiológico de degradação do coágulo. Historicamente, a 'hemorragia expulsiva' ocorria durante a cirurgia de incisão larga, mas hoje, com a facoemulsificação, os descolamentos hemorrágicos costumam ser pós-operatórios e mais localizados. O conhecimento do tempo de liquefação é um conceito clássico em provas de título de oftalmologia e residência médica.
O período de aproximadamente 14 dias é necessário para que ocorra a liquefação do coágulo hemático no espaço supracoroidal. Antes desse período, o sangue encontra-se em estado sólido ou semissólido, o que torna a drenagem através de esclerótomos extremamente difícil e ineficaz. A liquefação permite uma evacuação mais completa e segura do conteúdo hemorrágico, reduzindo a pressão intraocular e permitindo a reexpansão da cavidade vítrea.
As principais indicações incluem: dor ocular intratável, aumento incontrolável da pressão intraocular (glaucoma secundário), aposição das superfícies retinianas ('kissing choroids'), descolamento de retina associado ou quando a hemorragia impede a visualização necessária para outros procedimentos intraoculares. Casos leves e sem complicações podem ser observados para resolução espontânea.
O diagnóstico é clínico (fundoscopia mostrando elevações coroidais escuras) e confirmado por ultrassonografia ocular (Ecografia modo B). A ecografia é fundamental para monitorar o tamanho do descolamento e, principalmente, para identificar o momento da liquefação do coágulo, caracterizada por uma mudança na ecogenicidade interna do conteúdo supracoroidal, sinalizando o momento ideal para a intervenção cirúrgica.
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