Hemorragia Subaracnoidea: Diagnóstico e Conduta Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma mulher de 32 anos de idade apresentou quadro de cefaleia de forte intensidade, de início abrupto, seguido de náuseas, vômitos, fotofobia e rigidez de nuca nas últimas 2 horas. Ela foi atendida em um serviço de emergência. Durante a anamnese, negou febre ou uso de drogas ilícitas. Em relação a seus antecedentes pessoais, informou hipertensão arterial sistêmica controlada com uso de captopril 25 mg, duas vezes ao dia. Ao exame físico, apresentava-se sonolenta, sem sinais neurológicos de localização. Os sinais vitais indicaram pressão arterial = 100 x 65 mmHg; frequência cardíaca = 104 bpm; frequência respiratória = 18 irpm. Os exames laboratoriais iniciais mostraram: • Hemoglobina = 12,2 g/dL (VR = 11,5 - 15g/dL); • Leucócitos = 4.500/mm³ (contagem diferencial normal) (VR = 4.000 - 11.000 mm³); • Plaquetas = 297.000/mm³ (VR = 100.000 - 400.000 mm³); • INR (International Normalized Ratio) = 1,27 (valor de referência até 1,3); • Sódio = 130 mEq/L (VR = 136-145 mEq/L); • Potássio = 3,8 mEq/L (VR = 3,5-5 mEq/L). O exame fundoscópico revelou a presença de hemorragias pré-retinianas, com papilas ópticas mal definidas. Considerando esse caso, após avaliação da relação risco-benefício, qual procedimento diagnóstico imediato deve ser empreendido para investigação etiológica do quadro neurológico?

Alternativas

  1. A) Angiografia cerebral.
  2. B) Ecodoppler transcraniano.
  3. C) Ressonância magnética cerebral.
  4. D) Tomografia computadorizada cerebral.

Pérola Clínica

Cefaleia súbita + rigidez nuca + hemorragia pré-retiniana → TC de crânio imediata.

Resumo-Chave

A tomografia computadorizada sem contraste é o exame inicial de escolha pela alta sensibilidade na detecção de sangue no espaço subaracnoideo nas primeiras horas.

Contexto Educacional

A Hemorragia Subaracnoidea (HSA) espontânea é uma emergência médica frequentemente causada pela ruptura de aneurismas saculares. O quadro clássico envolve a 'pior cefaleia da vida', de início súbito (thunderclap), acompanhada de sinais de irritação meníngea. O diagnóstico precoce é vital para prevenir o ressangramento, que possui alta mortalidade. A presença de hemorragias pré-retinianas (Síndrome de Terson) e papilas ópticas mal definidas sugere hipertensão intracraniana grave. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, controle rigoroso da pressão arterial e avaliação neurocirúrgica ou endovascular imediata. A TC de crânio é o padrão-ouro inicial. Caso negativa com clínica sugestiva, a análise do líquor é mandatória. Complicações como vasoespasmo, hidrocefalia e distúrbios do sódio devem ser monitoradas em unidade de terapia intensiva neurológica.

Perguntas Frequentes

Por que a TC é o primeiro exame na suspeita de HSA?

A Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste apresenta uma sensibilidade próxima a 100% nas primeiras 6 a 12 horas após o início dos sintomas de hemorragia subaracnoidea (HSA). Ela é rápida, amplamente disponível e eficaz na identificação de sangue agudo no espaço subaracnoideo, cisternas da base e sulcos corticais. Além do diagnóstico, a distribuição do sangue na TC ajuda a sugerir a localização do aneurisma roto e a graduar o risco de vasoespasmo através da Escala de Fisher. Se a TC for negativa, mas a suspeita clínica permanecer alta (cefaleia 'thunderclap'), a punção lombar para pesquisa de xantocromia ou hemácias é o próximo passo obrigatório.

O que caracteriza a Síndrome de Terson no contexto da HSA?

A Síndrome de Terson é definida pela presença de hemorragia intraocular (vítrea, sub-hialoide ou pré-retiniana) associada à hemorragia subaracnoidea ou intracraniana aguda. Ocorre devido ao aumento súbito da pressão intracraniana, que é transmitido através da bainha do nervo óptico, comprimindo a veia central da retina e causando ruptura de capilares retinianos. Clinicamente, manifesta-se como hemorragias pré-retinianas ao exame de fundo de olho, como descrito no caso. Sua presença é um marcador de gravidade, correlacionando-se com escores mais altos nas escalas de Hunt-Hess e pior prognóstico neurológico.

Qual a importância da hiponatremia em pacientes com HSA?

A hiponatremia é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum após uma hemorragia subaracnoidea, ocorrendo em até 30-50% dos casos. Ela pode ser causada pela Síndrome de Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH) ou, mais frequentemente, pela Síndrome Cerebral Perdedora de Sal (CSWS). A distinção é crucial: na SIADH há euvolemia ou leve hipervolemia, enquanto na CSWS há hipovolemia franca devido à natriurese excessiva. O manejo inadequado da hiponatremia pode agravar o edema cerebral e aumentar o risco de isquemia cerebral tardia (vasoespasmo), sendo a reposição volêmica com solução salina isotônica a base do tratamento na CSWS.

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