HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020
Um paciente de 23 anos é admitido no pronto atendimento com queixa de cefaleia intensa com início súbito há 15 minutos, do tipo pressão, com piora a movimentação do corpo e associado a fotofobia. Ao exame físico o paciente apresenta-se agitado e com rigidez de nuca. Seus sinais vitais revelam uma temperatura de 37,2°, pressão arterial de 150x100mmHg, frequência cardíaca de 104bpm e frequência respiratória de 18ipm. O médico de plantão então solicita uma tomografia de crânio. Qual o provável diagnóstico?
Cefaleia súbita intensa ('thunderclap headache') + rigidez de nuca + fotofobia → suspeitar de Hemorragia Subaracnóidea.
A cefaleia em 'trovoada' (thunderclap headache) é um sintoma clássico e alarmante de hemorragia subaracnóidea, especialmente quando acompanhada de sinais meníngeos como rigidez de nuca e fotofobia. A elevação da pressão arterial pode ser uma resposta fisiológica à dor intensa e à hipertensão intracraniana. A tomografia de crânio é o exame inicial de escolha para confirmar o sangramento.
A hemorragia subaracnóidea (HSA) é uma emergência neurológica grave, frequentemente causada pela ruptura de um aneurisma cerebral. Embora menos comum que outros tipos de AVC, sua mortalidade e morbidade são elevadas, tornando o diagnóstico precoce crucial. A HSA é responsável por cerca de 5% dos acidentes vasculares cerebrais, mas afeta uma população mais jovem, com pico de incidência entre 40 e 60 anos, e pode ter um impacto devastador na qualidade de vida dos sobreviventes. A fisiopatologia envolve o extravasamento de sangue para o espaço subaracnóideo, causando irritação meníngea e aumento da pressão intracraniana. A suspeita diagnóstica é levantada pela tríade clássica de cefaleia súbita e intensa ('thunderclap headache'), rigidez de nuca e fotofobia. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é o exame de imagem de primeira linha, com alta sensibilidade nas primeiras 6-12 horas. Se a TC for negativa e a suspeita clínica alta, a punção lombar para análise do líquor (pesquisa de xantocromia) é imperativa. O tratamento da HSA visa prevenir o ressangramento, controlar o vasoespasmo e manejar as complicações. A intervenção neurocirúrgica ou endovascular para o aneurisma roto é realizada o mais rápido possível. O prognóstico depende da gravidade inicial do sangramento (escala de Hunt e Hess), da idade do paciente e da presença de complicações como hidrocefalia ou vasoespasmo cerebral. A educação contínua sobre o reconhecimento precoce dos sintomas é vital para melhorar os desfechos.
Os sintomas mais característicos incluem cefaleia súbita e intensa, descrita como a 'pior dor de cabeça da vida' (thunderclap headache), rigidez de nuca, fotofobia, náuseas, vômitos e, em casos mais graves, alteração do nível de consciência. Sinais meníngeos como Kernig e Brudzinski podem estar presentes.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, avaliação neurológica rápida e solicitação de tomografia computadorizada de crânio sem contraste. Se a TC for negativa, mas a suspeita clínica persistir, uma punção lombar deve ser considerada para pesquisar xantocromia.
A diferenciação é feita pela intensidade e início súbito da dor, associada a sinais meníngeos. Outras causas como migrânea ou cefaleia tensional geralmente não apresentam o mesmo padrão explosivo e os sinais de irritação meníngea. A TC de crânio é fundamental para confirmar ou excluir o sangramento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo