Hemorragia Subaracnoidea: Prevenção do Vasoespasmo com Nimodipino

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 46 anos de idade, procura o pronto-socorro porque começou a ter cefaleia e náuseas quando estava no trabalho. Ela nega comorbidades ou uso de medicamentos. Refere cefaleia fronto-temporal, bilateral, de forte intensidade, iniciada há 1 hora, associada a náuseas e um episódio de vômito. Ao ser indagada, descreve que a cefaleia alcançou o pico de dor em, no máximo, 2 minutos. Exame clínico: PA de 158x94 mmHg, FC de 105 bpm, FR de 18 ipm, saturação de oxigênio de 98%, temperatura axilar de 36,8 °C, sem anormalidades no exame neurológico ou nos demais sistemas. Inicialmente, foi realizada uma tomografia de crânio sem contraste, exibida na imagem a seguir:Em seguida, uma angiotomografia de crânio identificou uma lesão sacular. Qual é o medicamento que deve ser indicado, neste momento, para reduzir a chance de complicações?

Alternativas

  1. A) Atenolol.
  2. B) Clonidina.
  3. C) Captopril.
  4. D) Nimodipino.

Pérola Clínica

HSA aneurismática: Nimodipino é essencial para prevenir vasoespasmo cerebral e isquemia secundária.

Resumo-Chave

A cefaleia em trovoada é um sintoma clássico de hemorragia subaracnoidea (HSA), que pode ser confirmada por TC de crânio e angiotomografia. Após a identificação de um aneurisma roto, o nimodipino é administrado para prevenir o vasoespasmo cerebral, uma complicação grave que pode levar a isquemia e déficits neurológicos.

Contexto Educacional

A hemorragia subaracnoidea (HSA) é uma emergência neurológica grave, frequentemente causada pela ruptura de um aneurisma cerebral. Caracteriza-se por uma cefaleia súbita e intensa, muitas vezes descrita como a "pior dor de cabeça da vida" (cefaleia em trovoada), acompanhada de náuseas, vômitos e, em casos mais graves, alteração do nível de consciência. O diagnóstico é tipicamente feito por tomografia computadorizada de crânio sem contraste, que pode mostrar sangue no espaço subaracnoideo. A angiotomografia ou angiografia cerebral é então realizada para identificar a fonte do sangramento, geralmente um aneurisma. Uma das complicações mais temidas da HSA é o vasoespasmo cerebral, que ocorre dias após o sangramento e pode levar à isquemia cerebral e déficits neurológicos permanentes. Para prevenir o vasoespasmo, o nimodipino, um bloqueador dos canais de cálcio, é o medicamento de escolha e deve ser iniciado precocemente. Outras medidas incluem o controle da pressão arterial, manejo da hidrocefalia e, quando indicado, o tratamento do aneurisma (clipagem cirúrgica ou embolização endovascular) para prevenir ressangramento.

Perguntas Frequentes

Qual a principal complicação da hemorragia subaracnoidea aneurismática?

A principal complicação da hemorragia subaracnoidea aneurismática é o vasoespasmo cerebral, que pode levar à isquemia cerebral tardia e déficits neurológicos permanentes.

Por que o nimodipino é usado na hemorragia subaracnoidea?

O nimodipino, um bloqueador dos canais de cálcio, é utilizado para prevenir e tratar o vasoespasmo cerebral após hemorragia subaracnoidea, melhorando o fluxo sanguíneo cerebral e reduzindo o risco de isquemia.

Quais são os sinais de alerta de uma hemorragia subaracnoidea?

Os sinais de alerta incluem cefaleia súbita e de forte intensidade ("em trovoada"), náuseas, vômitos, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência.

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