Hemorragia Subaracnoidea (HSA): Diagnóstico e Conduta

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Paciente C.A.M, feminino, 42 anos, foi levada por seu esposo ao pronto atendimento do Hospital Municipal com queixa de cefaleia intensa difusa associada a náuseas e vômitos e iniciada há 2 horas. Ela descreve a dor como "a pior dor de cabeça da minha vida" e afirma que começou de repente, após uma discussão com a filha por problemas familiares. A cefaleia não teve melhora mesmo após tomar 2 comprimidos de 500mg de dipirona e a intensidade da dor agravou-se. Nega qualquer trauma, esforço físico intenso, alterações visuais, fotofobia ou crise convulsiva, mas afirma "estar sentindo o corpo quente", iniciado minutos depois da precipitação da cefaleia e está muito preocupada em ser febre. Nega qualquer problema médico significativo pregresso. Nega qualquer cirurgia anterior e faz uso há 12 anos de contraceptivos orais. Afirma trabalhar como atendente de telemarketing e nega uso de drogas ilícitas, tabagismo ou etilismo. Religião católica, mas não frequenta a igreja. EXAME FÍSICO: Regular estado geral, levemente ansiosa, inquieta, lúcida e orientada no tempo e espaço, desidratada 1+/4+, corada, Tax: 37,2°C. O pulso é regular (85 bpm), a PA é 150/85 mmHg (que ela afirma estar mais alto que o habitual), e a FR é 20 irpm. Neurológico: Escala de Coma Glasglow 15, pupilas pequenas, de 2 mm, isocóricas e fotorreagentes. A força motora e os reflexos profundos são simétricos e sem clônus. Os olhos estão normais, com movimentos extraoculares normais e sem fotofobia ou nistagmos. Fundoscopia: normal. Nenhuma nodulação é detectada no exame do pescoço, mas apresenta leve rigidez de nuca. Exames do aparelho respiratório, cardíaco, abdominal sem alterações. As análises de hemograma, eletrólitos, bioquímica e a análise da urina são normais. Realizou tomografia de crânio sem contraste (imagem abaixo). De acordo com o caso clínico. Qual a principal hipótese diagnóstica para o caso descrito?

Alternativas

Pérola Clínica

Pior cefaleia da vida de início súbito + rigidez de nuca = Hemorragia Subaracnoidea (HSA).

Resumo-Chave

A HSA clássica apresenta-se como cefaleia 'em trovoada' (thunderclap), frequentemente associada a náuseas, vômitos e sinais de irritação meníngea.

Contexto Educacional

A Hemorragia Subaracnoidea (HSA) não traumática é uma emergência neurológica grave, causada em 85% dos casos pela ruptura de um aneurisma sacular. A apresentação clínica clássica envolve cefaleia súbita, náuseas, vômitos e, após algumas horas, o desenvolvimento de rigidez de nuca devido à irritação meníngea pelo sangue no espaço subaracnoideo. O diagnóstico precoce é vital, pois o risco de ressangramento é alto e frequentemente fatal. A estabilização hemodinâmica, controle rigoroso da pressão arterial (alvo de PAS < 160 mmHg) e a neurointervenção (clipping cirúrgico ou embolização endovascular) são os pilares do tratamento. A escala de Hunt-Hess é utilizada para graduação clínica, enquanto a escala de Fisher avalia o risco de vasoespasmo com base na quantidade de sangue na TC.

Perguntas Frequentes

Qual o primeiro exame a ser solicitado na suspeita de HSA?

O primeiro exame é a Tomografia Computadorizada (TC) de crânio sem contraste. Ela possui sensibilidade superior a 95% nas primeiras 6 a 12 horas após o início dos sintomas. Se a TC for negativa, mas a suspeita clínica permanecer alta (especialmente se o paciente chegar após 24h), deve-se realizar a punção lombar para pesquisar xantocromia ou presença de hemácias.

O que caracteriza a cefaleia da HSA?

É descrita como uma cefaleia 'thunderclap' (em trovoada), atingindo intensidade máxima em segundos ou poucos minutos. Os pacientes frequentemente a descrevem como 'a pior dor de cabeça da vida'. Pode ser desencadeada por esforço físico ou estresse emocional, mas também ocorre em repouso.

Quais são as principais complicações precoces da HSA?

As principais complicações incluem o ressangramento (maior risco nas primeiras 24h), vasoespasmo (geralmente entre o 3º e 14º dia, levando a isquemia cerebral tardia), hidrocefalia aguda e distúrbios hidroeletrolíticos como a hiponatremia (síndrome cerebral perdedora de sal).

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