Hemorragia Subaracnóidea: Diagnóstico, Escalas e Manejo da PA

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 48 anos de idade, branca, chega no PS com história de cefaleia em trovoada, acompanhada de perda da consciência e monoparesia do membro superior esquerdo. AP: HAS não controlada e tabagismo. Ao exame: PA= 185 x 100 mmHg, P= 90 bpm (R), Temp.= 36,6º C, Glicose capilar= 110 mg %, Glasgow = 12 (A0 3 RV 3 RM 6); Aparelho Cardiovascular e respiratório sem anormalidades, assim como Abdome e membros sem alterações; Exame Neurológico: sonolenta/ confusa, monoparesia do membro superior esquerdo, com reflexos tendinosos vivos em ambos os lados e sinal de Babinski à esquerda. Pares cranianos: com pupilas isocóricas 3 mm/ fotorreagentes, reflexo córneo- palpebral (+) bilateral, sem alteração da motilidade ocular, reflexo óculo-cefálico (+); Cerebelo e sensibilidade: não colaborava, rigidez de nuca ++. Podemos considerar como INCORRETO:

Alternativas

  1. A) A TC de crânio evidencia hiperdensidade nos sulcos cerebrais, ventrículos laterais e terceiro ventrículo, bem como entre as fissuras inter-hemisféricas.
  2. B) A cefaléia em trovoada, bem como os sinais de comprometimento do nível de consciência sugerem o diagnóstico de hemorragia subaracnóidea/ aneurisma cerebral roto.
  3. C) Nas escalas de Fisher e Hunt-Hess devemos considerar os escores = 3, o que determina um pior prognóstico.
  4. D) O alvo da pressão arterial neste caso é < 140X90 mmHg, sendo o uso de corticóide indicado pela presença do hemoventrículo.

Pérola Clínica

HSA = Cefaleia em trovoada + rigidez de nuca. TC crânio é 1ª linha. PA alvo em HSA é individualizada, não <140x90 mmHg.

Resumo-Chave

A hemorragia subaracnóidea (HSA) é uma emergência neurológica caracterizada por cefaleia em trovoada e sinais meníngeos. O diagnóstico é feito por TC de crânio. O manejo da pressão arterial é complexo e individualizado, visando manter a perfusão cerebral sem aumentar o risco de ressangramento, e corticoides não são indicados rotineiramente para hemoventrículo em HSA.

Contexto Educacional

A hemorragia subaracnóidea (HSA) é uma condição neurológica grave, frequentemente causada pela ruptura de um aneurisma cerebral, caracterizada pelo extravasamento de sangue para o espaço subaracnóideo. A apresentação clássica é a cefaleia em trovoada, uma dor de cabeça de início súbito e intensidade máxima, acompanhada por sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca, e frequentemente alteração do nível de consciência. O diagnóstico inicial é feito por tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste, que tipicamente evidencia hiperdensidade nos sulcos cerebrais, cisternas da base e, em casos mais graves, nos ventrículos. As escalas de Hunt-Hess e Fisher são utilizadas para estratificar a gravidade clínica e o risco de complicações, como o vasoespasmo, respectivamente, sendo cruciais para o prognóstico e manejo. O manejo da HSA inclui o controle da pressão arterial, que deve ser cuidadoso para evitar o ressangramento e manter a perfusão cerebral, geralmente com alvo de pressão sistólica abaixo de 160 mmHg até o tratamento definitivo do aneurisma. O uso de nimodipino é indicado para prevenir o vasoespasmo. Corticosteroides não são rotineiramente indicados para o tratamento de hemoventrículo em HSA, pois não demonstraram benefício e podem aumentar o risco de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da hemorragia subaracnóidea?

O sintoma mais clássico é a cefaleia em trovoada, uma dor de cabeça súbita e de intensidade máxima em segundos ou minutos. Outros sinais incluem rigidez de nuca, náuseas, vômitos, fotofobia, perda de consciência e déficits neurológicos focais, dependendo da localização e extensão do sangramento.

Como as escalas de Fisher e Hunt-Hess são utilizadas na HSA?

A escala de Hunt-Hess avalia o estado clínico do paciente na admissão, correlacionando-se com o prognóstico. A escala de Fisher classifica a quantidade de sangue na TC de crânio, sendo um preditor importante do risco de vasoespasmo cerebral, uma complicação grave da HSA.

Qual a conduta inicial para o controle da pressão arterial em pacientes com HSA?

O controle da pressão arterial na HSA é crucial, mas deve ser individualizado. O objetivo é evitar a hipertensão grave que pode levar ao ressangramento, mas também prevenir a hipotensão que compromete a perfusão cerebral. Geralmente, mantém-se a PAS abaixo de 160 mmHg até o tratamento definitivo do aneurisma, utilizando anti-hipertensivos de curta ação.

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