Hemorragia Puerperal: Fatores de Risco e Prevenção

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023

Enunciado

A hemorragia puerperal é causa de relevante morbi-mortalidade materna, e é potencialmente evitável, ao se adotar uma estratégia de vigilância, detecção precoce e medidas rápidas e adequadas. Sobre assunto, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A causa mais frequente de sangramento puerperal é a discrasia dos fatores de coagulação, levando à coagulopatia de consumo.
  2. B) A indução do trabalho de parto com uterotônicos e o uso de maturação cervical com prostaglandinas aumenta o risco de sangramento puerperal subsequente.
  3. C) A existência de choque refratário a medidas farmacológicas e à massagem uterina é uma indicação de histerectomia puerperal como próxima medida para salvar a vida da mãe.
  4. D) Dentre as medidas farmacológicas disponíveis, destaca-se a ocitocina, os derivados do ergot e os análogos das prostaglandinas, como o misoprostol; há evidência bem estabelecida da eficácia superior da ocitocina em comparação aos demais agentes.

Pérola Clínica

Indução do parto com uterotônicos/prostaglandinas ↑ risco de hemorragia puerperal.

Resumo-Chave

A indução do trabalho de parto, especialmente com o uso de uterotônicos e prostaglandinas para maturação cervical, é um fator de risco conhecido para hemorragia puerperal. Isso ocorre devido ao potencial de hiperestimulação uterina e subsequente fadiga miometrial, que pode levar à atonia uterina, a principal causa de sangramento pós-parto.

Contexto Educacional

A hemorragia puerperal é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, sendo um evento potencialmente evitável com vigilância e manejo adequado. É definida como a perda sanguínea igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, ou qualquer sangramento que cause instabilidade hemodinâmica. A causa mais frequente, responsável por cerca de 70-80% dos casos, é a atonia uterina, ou seja, a falha do útero em contrair adequadamente após a expulsão da placenta. Diversos fatores de risco podem predispor à hemorragia puerperal, incluindo multiparidade, macrossomia fetal, polidrâmnio, trabalho de parto prolongado ou precipitado, corioamnionite, placenta prévia, acretismo placentário e, como destacado na questão, a indução do trabalho de parto. A indução, especialmente com o uso de uterotônicos como a ocitocina e prostaglandinas para maturação cervical, pode levar à hiperestimulação uterina e consequente fadiga miometrial, comprometendo a capacidade do útero de contrair e manter a hemostasia pós-parto. O manejo da hemorragia puerperal envolve uma abordagem rápida e sistemática, focando nas "4 Ts": Tônus (atonia uterina), Trauma (lacerações), Tecido (retenção placentária) e Trombina (coagulopatia). A ocitocina é o uterotônico de primeira linha, mas outros agentes como misoprostol, metilergonovina e carboprost também são utilizados. Em casos refratários, medidas mecânicas (massagem uterina, balão de Bakri), cirúrgicas (ligadura de artérias uterinas, embolização) e, em último caso, histerectomia podem ser necessárias para salvar a vida da mãe.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia puerperal?

A principal causa de hemorragia puerperal é a atonia uterina (falha do útero em contrair), seguida por trauma do canal de parto, retenção de restos placentários e distúrbios de coagulação.

Como a indução do trabalho de parto se relaciona com o risco de hemorragia puerperal?

A indução do trabalho de parto, especialmente com o uso de uterotônicos e prostaglandinas, pode aumentar o risco de hemorragia puerperal devido à hiperestimulação uterina e subsequente fadiga miometrial, predispondo à atonia uterina.

Quais são as medidas farmacológicas para o tratamento da hemorragia puerperal?

As medidas farmacológicas incluem ocitocina (primeira linha), misoprostol, metilergonovina (derivado do ergot) e carboprost, que agem promovendo a contração uterina para controlar o sangramento.

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